Os Cars surgiram na alvorada daquele gênero muitas vezes – e justificadamente – difamado conhecido como new wave, marcando presença com suas composições perspicazes, extrema habilidade musical e um apelo visual único, comparável, na época, apenas ao Blondie. Com este seu primeiro álbum, eles fizeram uma obra-prima pop, agraciada com o disco de ouro, numa roupagem new wave.
Quem comprou o LP atraído pela capa, que traz uma modelo feliz e sorridente prestes a perder o controle do volante do carro, se viu envolvido pela faixa de abertura, “Good Times Roll”, uma declaração de princípios. A partir dali, o álbum traz uma pérola da new wave atrás da outra. Embora os Cars, mais adiante, alcançassem maior sucesso com singles, a lista de músicas deste disco parece uma coleção de melhores momentos. Hits das rádios como “My Best Friend’s Girl” e “Just What I Needed” vêm ao lado de faixas favoritas dos fãs, como “Bye Bye Love” e “All Mixed Up”. As canções de Ric Ocasek percorrem toda a escala musical, variando os humores e os tempos, do pop contagiante de “My Best Friend’s Girl” a pequenos poemas estranhos como “I’m In Touch With Your World” – que utiliza tamanha variedade de efeitos sonoros que podia ser tema dos desenhos animados Looney Tunes – e ao arrastar chapado de “Moving In Stereo”. O guitarrista Elliot Easton é o heroi pouco badalado, que alimenta até fartar músicas como “Bye Bye Love”. O álbum, sem surpresas, vendeu um milhão de cópias e ficou 139 semanas nas paradas da Billboard nos Estados Unidos.
Este disco, um amálgama soberbo de influências (entre elas, do Velvet Underground e de David Bowie), filtrado por um pop abertamente feito para tocar nas rádios, é um guia de introdução à new wave que continua sendo excelente mesmo três décadas depois.








