Em 1997, o Heavenly Social em Turnmills, Londres, era um lugar muito excitante (e cheio de suor) para se estar. Todos os sábados, o clube tremia com acid house, electro, tecno, hip-hop e outros estilos sob o comando de Jon Carter, Richard Fearless, Dave Clark e Andrew Weatherall. Contudo, a grande atração da noite era Tom Rowlands e Ed Simons – o duo conhecido como The Chemical Brothers.
A sua estreia, Exit Planest Dust, tinha causado bastante agitação, mas foi com Dig Your Own Hole que as coisas ficaram sérias para o Chemical Brothers. A arte simples da capa esconde um conteúdo trabalhado com minúcia – muitas das faixas tinham já sido testadas nas pistas. “Block Rockin’ Beats” começa bombasticamente com um sample de Schooly D e uma batida forte, enquanto “Elektrobank”, “Don’t Stop The Rock” e “It Doesn’t Matter” recriam a sobrecarga sensorial de um set de electroacid house do duo de DJs.
“Setting Sun” inclui sons estridentes de sintetizador, a voz arrastada e distorcida de Noel Gallagher e batidas dos Beatles (a música foi espirituosamente apelidada de “Tomorrow Never Noels”). “Lost In The K-Hole” é uma tortuosa pancada de demência induzida por tranquilizantes de cavalos. “The Private Psychedelic Reel” é um estonteante épico de psicodelismo tecno, uma sucessão de picos e vales.
Juntamente com Orbital, Prodigy e Underworld, os Chemical Brothers estiveram entre os poucos artistas techno dos anos 90 capazes de lotar estádios. Foram, igualmente, dos poucos que conseguiram criar um álbum de dance que não consistia apenas numa série de variações do som de um bumbo. O duo mesclava gêneros, inventando outros novos pelo caminho, e o seu disco Dig Your Own Hole permanece como um testamento monolítico da força transcendente da cultura rave dos anos 90.














