Arquivos

Categorias

“London Calling” do Clash (1979)

O Clash pode ser acusado de ter diluído o punk rock em digressões estilísticas e de discursar sobre política sem realmente saber nada sobre isso, mas, 30 anos depois do lançamento de sua obra-prima, London Calling, o álbum continua sendo o que melhor ofereceu uma saída vital para o solipsismo do punk.

London Calling foi o testamento definitivo do Clash, depois do manifesto punk de seu primeiro álbum e do agrado ao público americano de Give’Em Enough Rope. A parceria entre Joe Strummer e Mick Jones abarcava agora outras influências, além do punk e do reggae, como o rockabilly (“Brand New Cadillac”), o pop (“Lost In The Supermarket”) e o R&B (“I’m Not Down”), enquanto Simonon oferecia o hino dark “Guns Of Brixton”. “Spanish Bombs” era um protesto político genuíno; a faixa-título, com sua linha de baixo galopante, a guitarra cortante e o vocal gutural, garantiu à banda seu maior sucesso em single até então.

Mas o que faz o amálgama do disco é a produção firme de Guy Stevens. Um empreendedor genial da indústria do disco desde o final dos anos 60, Stevens tinha caído em desgraça em meados da década de 70, mas seu entusiasmo fez a banda deixar de lado sua postura intimidatória e ele conseguiu extrair o melhor dela.

A capa faz uma referência consciente à do primeiro álbum de Elvis Presley, embora a foto, feita por Pennie Smith, de Simonon prestes a esmagar o baixo, seja punk puro. Este é um daqueles raros discos que tanto definem sua época como mostram seus criadores no auge de seu talento.

Brand New Cadillac: YouTube Preview Image

Lost In The Supermarket: YouTube Preview Image

I’m Not Down: YouTube Preview Image

Guns Of Brixton: YouTube Preview Image

Spanish Bombs: YouTube Preview Image

London Calling: YouTube Preview Image

“The Clash” do Clash (1977)

Posto, muitas vezes – sem merecer -, em segundo plano em relação aos Sex Pistols, o Clash fugiu do padrão autodestrutivo do punk e optou por músicas com um aguçado conteúdo político, slogans atraentes e roupas de vanguarda.

A capa em verde, preto e branco traz Joe Strummer, Mick Jones e Paul Simonon, numa foto tirada durante os ensaios em Londres, e combina com a música sem enfeites das 14 faixas deste seu primeiro álbum, gravado em três fins de semana, em 1977. O estilo gritado de cantar de Strummer, quase incoerente, se encaixa à perfeição nas guitarras intermitentes de faixas como “I’m So Bored With The USA”.

O trabalho do Clash foi várias vezes tachado de panfletário, mas a letra de “Career Oportunities” retrata, de forma brilhante, as perspectivas da juventude: o trabalho humilhante ou o seguro-desemprego. Uma das maiores qualidades da banda era sua capacidade de absorver outros gêneros musicais. A versão de “Police And Thieves”, de Junior Murvin e Lee Perry, mostra o baixo de Simonon sobreposto às guitarras, ao mesmo tempo que a bateria de Terry Chimes (também conhecido como Tory Crimes, num trocadilho com o partido conservador inglês) pontua a música num ritmo rápido. Esse arranjo causa impacto e reaparece em outros momentos do álbum.

O Clash estava no meio de um caldeirão multicultural. Cercada pelas influências do reggae, do ska e do rock tradicional, a banda tinha uma leitura política e musical muito mais ampla do que a visão míope dos grupos punk da época.

O estilo incendiário do Clash e seu gosto pela ação podem ser ouvidos hoje em grupos como os Libertines, que tiveram seu segundo álbum produzido por Mick Jones. O mundo dá voltas…

I’m So Bored With The USA: YouTube Preview Image

Career Opportunities: YouTube Preview Image

Police And Thieves: YouTube Preview Image

Janie Jones: YouTube Preview Image

White Riot: YouTube Preview Image

What’s My Name: YouTube Preview Image

London’s Burning: YouTube Preview Image

Copyright © 2010 - Folha da Manhã - Todos os direitos reservados