O Clash pode ser acusado de ter diluído o punk rock em digressões estilísticas e de discursar sobre política sem realmente saber nada sobre isso, mas, 30 anos depois do lançamento de sua obra-prima, London Calling, o álbum continua sendo o que melhor ofereceu uma saída vital para o solipsismo do punk.
London Calling foi o testamento definitivo do Clash, depois do manifesto punk de seu primeiro álbum e do agrado ao público americano de Give’Em Enough Rope. A parceria entre Joe Strummer e Mick Jones abarcava agora outras influências, além do punk e do reggae, como o rockabilly (“Brand New Cadillac”), o pop (“Lost In The Supermarket”) e o R&B (“I’m Not Down”), enquanto Simonon oferecia o hino dark “Guns Of Brixton”. “Spanish Bombs” era um protesto político genuíno; a faixa-título, com sua linha de baixo galopante, a guitarra cortante e o vocal gutural, garantiu à banda seu maior sucesso em single até então.
Mas o que faz o amálgama do disco é a produção firme de Guy Stevens. Um empreendedor genial da indústria do disco desde o final dos anos 60, Stevens tinha caído em desgraça em meados da década de 70, mas seu entusiasmo fez a banda deixar de lado sua postura intimidatória e ele conseguiu extrair o melhor dela.
A capa faz uma referência consciente à do primeiro álbum de Elvis Presley, embora a foto, feita por Pennie Smith, de Simonon prestes a esmagar o baixo, seja punk puro. Este é um daqueles raros discos que tanto definem sua época como mostram seus criadores no auge de seu talento.







![The_Clash[1]](http://fmanha.com.br/blogs/overdrive/files/2010/08/The_Clash1.jpg)







