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“Disintegration” do The Cure (1989)

Robert Smith e o The Cure nunca esperaram se tornar estrelas da música pop, mas sucessos como “Just Like Heaven” moderaram suas críticas furiosas, tirando-os das sombras em direção ao sucesso.

Em Disintegration a banda buscou um som mais coeso. O resultado, segundo a revista Q., é como “ser envolvido por um enorme casaco encharcado d’água”. De fato, “Prayers For Rain” e “The Same Deep Water As You” são faixas tão dramáticas quanto seus títulos sugerem. Mas nem tudo é perdição e escuridão.

Não, brincadeira. Há perdição e escuridão de todos os tipos, seja ela surreal (“Lullaby”), de um romantismo desolado (“Plainsong”) ou violenta (“Disintegration”) – mas sempre, como o jornal NME notou, “excitantemente infeliz”. A banda também emplacou grandes sucessos e o maior deles foi “Lovesong”, um presente de casamento de Robert Smith à sua noiva, Mary.

Em meio ao desespero, o baixista Simon Gallup e o antigo baterista do Thompson Twins, Boris Williams, dão um ritmo impressionante ao álbum e em particular a “Fascination Street” (acerca de Bourbon Street, no coração do quarteirão francês em Nova Orleans). O guitarrista Porl Thompson está sempre por perto e estará presente mais tarde na versão de “Lullaby” tocada em turnês. O tecladista Roger O’Donnell é uma constante e Lol Tolhurst fica em segundo plano (aparece nos créditos como “instrumentos adicionais”).

“Fiquei preocupado por estar envelhecendo” – lembra-se o vocalista e letrista Robert Smith, prestes a completar 30 anos naquela época. Uma ansiedade que, 10 anos depois, serviu de combustível para Bloodflowers, no mesmo tom de Disintegration. Essa linhagem foi confirmada pela edição de Trilogy em 2003, um DVD ao vivo que incluía também seu predecessor espiritual, Pornography.

Prayers For Rain: YouTube Preview Image

The Same Deep Water As You: YouTube Preview Image

Lullaby: YouTube Preview Image

Plainsong: YouTube Preview Image

Disintegration: YouTube Preview Image

Lovesong: YouTube Preview Image

Fascination Street: YouTube Preview Image

“Pornography” do The Cure (1982)

Robert Smith fundou The Easy Cure ainda na escola secundária em 1976, mais tarde abreviando o nome para The Cure. O primeiro single da banda foi lançado em 1978 pela Fiction Records. Depois de uma estreia irregular, o grupo produziu alguns de seus melhores discos no princípio dos anos 80. Pornography é provavelmente o melhor e mais dark dos primeiros lançamentos do The Cure, um insight fascinante da extraordinária mente de Robert Smith.

Baseado em grandes e explosivos padrões repetidos de bateria e baixo, o disco se desenvolve de forma orgânica, uma obra monumental de melancolia condensada em 43 minutos. Apesar disso, tem uma grande riqueza musical. O baixo de Simon Gallup, a bateria uniforme de Tolhurst e a voz impassível de Smith criaram a trilha sonora ideal para qualquer gótico que se preze: as letras de Smith descem por um abismo negro em “Siamese Twins”, “The Figurehead” e “Pornography”. O disco abre com “One Hundred Years”, que contém um dos melhores riffs do álbum e continua a ser uma das preferidas dos shows. “The Hanging Garden”, uma faixa mais alegre, foi o único sucesso deste álbum (34o lugar nas paradas da Inglaterra). A faixa de encerramento é uma colagem sonora experimental que lamenta o estado deplorável em que colocamos o planeta. O co-produtor Phil Thornalley mais tarde se tornaria baixista da banda. Ele também compôs e produziu o fabuloso sucesso de Natalie Imbruglia, “Torn”.

Na turnê de promoção do álbum, Smith e Gallup discutiram no final do último show em Estrasburgo, na França. Após um breve intervalo, The Cure continuou sua carreira bem-sucedida como um duo, seguindo um caminho mais pop, e Smith começou a fazer aparições com Siouxsie And The Banshees.

Siamese Twins: YouTube Preview Image

The Figurehead: YouTube Preview Image

Pornography: YouTube Preview Image

One Hundred Years: YouTube Preview Image

The Hanging Garden: YouTube Preview Image

“Seventeen Seconds” do The Cure (1980)

The Cure lançou seu segundo disco logo no início da década de 80, criando aquele que muitos consideram ser o seu melhor trabalho até hoje – uma decisão difícil, tendo em vista sua enorme produção.

Seventeen Seconds marca a entrada da banda em uma consciência pop mais ampla, gerando seu primeiro hit, “A Forest” – um clássico do grupo apoiado num curto e belo riff de baixo -, que quase entrou no Top 20 da Inglaterra. The Cure já tinha transformado a simplicidade dark numa forma de arte: a conhecida imagem de Robert Smith, com seu cabelo despenteado, rosto branco, batom vermelho e roupas pretas, é uma marca tão forte do The Cure quanto as letras etéreas e a voz impassível do cantor.

Tal como a capa, pouco mais do que um borrão abstrato, o som minimalista e sombrio dessa fase da banda é sutil mas sugestivo. As músicas obscuras e existencialistas, tão importantes para o The Cure, começam a se tornar mais frequentes (Douglas Wolk observou em The Nation, em 2004, que Robert Smith canta “never” como Joey Ramone canta “wanna” – uma pequena palavra que implica toda uma filosofia existencial), introduzindo uma sedutora atmosfera de desolação tanto em breves trechos instrumentais quanto em faixas de estilo mais pop (como a grudenta “Play For Today”) que remetem ao seu trabalho anterior.

Smith preparou uma reedição especial de Seventeen Seconds, digitalmente remasterizada. Contendo dois CDs, o álbum traz raridades dessa época e um encarte de 20 páginas. Talvez isso faça com que Seventeen Seconds se torne novamente conhecido, ao lado de álbuns como Pornography e Disentegration, que jamais deveriam ser esquecidos.

A Forest: YouTube Preview Image

Play For Today: YouTube Preview Image

M: YouTube Preview Image

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