Em 1975, dois garotos americanos, Legs McNeil e John Holmstrom, passaram o verão ouvindo Go Girl Crazy!, dos Dictators. Pouco tempo depois, eles fundaram a revista Punk, uma das bíblias do movimento anárquico que eclodiu nos últimos anos da década de 70.
Como os New York Dolls, os Dictators foram precursores do punk. Muitos anos antes de se ouvir falar nos Ramones, The Dead Boys e Sex Pistols, Dick Manitoba, ex-agente e a “arma secreta” dos Dictators, já cantava sobre vomitar comida, beber cerveja, sair com garotas e assistir a filmes B. Go Girl Crazy! foi um dos primeiros discos punk, bem antes de a expressão ser cunhada. Mas o álbum oferecia muito mais: garage, surf (uma versão de “California Sun”, dos Rivieras) e heavy metal – o guitarrista Ross “The Boss” Funichello fundou, mais tarde, o Manowar. Os Dictators ganharam seguidores devotos, em parte, graças a seu senso de humor pouco convencional – como se pode ver na capa de Go Girl Crazy!, na qual Manitoba posa num vestiário imundo.
O disco tinha todos os ingredientes para ser um sucesso, mas os acontecimentos tomaram um outro rumo. Pouco tempo depois do lançamento do álbum, a Epic dispensou a banda: mau gerenciamento, turnês mal planejadas e disputas internas não ajudaram a mudar o quadro. O LP não atraiu maior interesse até 1977, quando bandas como os Ramones já tinham inventado seu próprio tipo de caricatura punk. Os Dictators foram relegados a coadjuvantes. No entanto, Go Girl Crazy! surgiu antes.


