Em meados da década de 90, enquanto os Estados Unidos continuavam tentandop lidar com os problemas do multiculturalismo após os distúrbios em Los Angeles e o julgamento de O.J. Simpson, o The Disposable Heroes Of Hiphoprisy (o vocalista Michael Franti e o músico Rono Tse) estava compondo a trilha sonora para aquele momento numa oficina de carros usados em Oakland, perto de São Francisco.
Herdeiro direto do Public Enemy, o Disposable Heroes Of Hiphoprisy é um grupo único. Hypocrisy Is The Greatest Luxury é uma coleção de letras de “rap de protesto” unidas por sons digitais – por vezes beirando o industrial -, samples de TV e rádio sobre o ritmo constantemente marcado de hip-hop ou rap. O grupo trouxe um novo sopro de vida ao rap abordando, entre outros temas, a questão da violência entre os negros, o racismo, a manipulação da mídia, a guerra, a política, o feminismo e o estresse urbano. Enquanto os seus contemporâneos, como Run-DMC e N.W.A., adotavam fórmulas e clichês, Hypocrisy Is The Greatest Luxury criou um gênero próprio: o rap de protesto com tópicos sérios. Isto não deve soar depreciativo: embora tenha sido ignorado pelas rádios de sua época, o disco é hoje considerado um marco e uma continuação da voz dos grandes poetas negros dos anos 60, como The Watts Prophets e The Last Poets.
Sua performance ao vivo era impressionante, mas nunca saiu do circuito universitário. Contudo, o grupo durou pouco: após uma colaboração com William Burroughs, Franti cansou-se das explorações pós-apocalípticas do The Disposable Heroes Of Hiphoprisy. Seu grupo atual, o Spearhead, tem se mostrado a antítese de seu trabalho anterior.





