A imagem do dândi culto e mulherengo começou com Promenade, de 1994, e continuou com Casanova, dois anos depois, com o qual Neil Hannon conquistou uma grande popularidade na Inglaterra. Em A Short Album About Love, inevitavelmente lançado perto do dia dos namorados, ele foi muito claro. O título foi inspirado no cineasta polonês Krzysztof Kieslowski (basta substituir “Filme” por “Álbum” para chegar ao título da obra cinematográfica de 1988), mas funciona.
As sete músicas foram gravadas ao vivo com uma orquestra de 26 músicos em finais de 1996, após a passagem de som, mas antes dos shows (um Hannon algo humilde admitiu, numa entrevista para o rádio, que ele regravou a voz mais tarde). Tirando “If…”, que entrelaça uma série de hipóteses improváveis para gerar empatia, embora por vezes sem muita força (“If you were a horse / I’d clean the crap out of your stable” – “Se você fosse um cavalo / Eu limparia a bosta do seu estábulo”), o disco está livre de piadas e foi melhor assim. Hannon tinha encontrado, literalmente, a sua voz: rica, expressiva, por vezes até walkeriana. Encontrou também o arranjador (Joby Talbot) e as músicas adequadas, algumas autoconfiantes (“I’m All You Need”), outras suplicantes (“Timewatching”).
Em 1998 seguiu-se Fin De Siécle, um disco fantástico, diminuído por duas músicas que exibiam a faceta frívola do grupo. Como não poderia deixar de ser, “Generation Sex” e “National Express” foram dois dos três singles escolhidos, reforçando a imagem de Hannon como um cantor brincalhão. Quando o fabuloso Regeneration foi lançado em 2001, os fãs já não estavam mais prestando atenção.












