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“A Short Album About Love” do Divine Comedy (1997)

A imagem do dândi culto e mulherengo começou com Promenade, de 1994, e continuou com Casanova, dois anos depois, com o qual Neil Hannon conquistou uma grande popularidade na Inglaterra. Em A Short Album About Love, inevitavelmente lançado perto do dia dos namorados, ele foi muito claro. O título foi inspirado no cineasta polonês Krzysztof Kieslowski (basta substituir “Filme” por “Álbum” para chegar ao título da obra cinematográfica de 1988), mas funciona.

As sete músicas foram gravadas ao vivo com uma orquestra de 26 músicos em finais de 1996, após a passagem de som, mas antes dos shows (um Hannon algo humilde admitiu, numa entrevista para o rádio, que ele regravou a voz mais tarde). Tirando “If…”, que entrelaça uma série de hipóteses improváveis para gerar empatia, embora por vezes sem muita força (“If you were a horse / I’d clean the crap out of your stable” – “Se você fosse um cavalo / Eu limparia a bosta do seu estábulo”), o disco está livre de piadas e foi melhor assim. Hannon tinha encontrado, literalmente, a sua voz: rica, expressiva, por vezes até walkeriana. Encontrou também o arranjador (Joby Talbot) e as músicas adequadas, algumas autoconfiantes (“I’m All You Need”), outras suplicantes (“Timewatching”).

Em 1998 seguiu-se Fin De Siécle, um disco fantástico, diminuído por duas músicas que exibiam a faceta frívola do grupo. Como não poderia deixar de ser, “Generation Sex” e “National Express” foram dois dos três singles escolhidos, reforçando a imagem de Hannon como um cantor brincalhão. Quando o fabuloso Regeneration foi lançado em 2001, os fãs já não estavam mais prestando atenção.

If…: YouTube Preview Image

I’m All You Need: YouTube Preview Image

Timewatching: YouTube Preview Image

Generation Sex: YouTube Preview Image

National Express: YouTube Preview Image

In Pursuit Of Happiness: YouTube Preview Image

Someone: YouTube Preview Image

“Casanova” do Divine Comedy (1996)

Era uma época estranha para a música britânica. O Oasis havia reduzido os Batles a sons minimalistas, o Blur reavivou o “music hall” inglês e muitos estavam afirmando que sempre tiveram um elemento “mod” em suas músicas. O sucesso de The Divine Comedy de Neil Hannon foi uma rara exceção a toda essa retomada do passado.

O ponto alto da carreira de Hannon, Casanova parecia ter sido inspirado tanto por Scott Walker – e, portanto, por Jacques Brel e Wally Stott – quanto pelo filme Alfie, com Michael Caine. Não era um pastiche, mas uma reflexão sobre o que poderia ter acontecido se os dois personagens tivessem vivido nos anos 90. A modernidade fez com que ele tivesse maior liberdade nas letras e é difícil imaginar que Brel, o trovador belga, pudesse ter sonhado com os cenários deste disco: em “Something For The Weekend:  o sedutor fraudulento é quem acaba sendo enganado; em “Becoming More Like Alfie” o nosso heroi conclui, como muitos, que ser um cavalheiro geralmente significa ser um perdedor no jogo do amor; e, em “The Frog Princess”, “Your place or mine?” (“Na sua casa ou na minha?”) torna-se um refrão sobre o arrependimento.

Em 1997, Hannon completou essa fase da sua carreira com A Short Album About Love, lançado no Dia dos Namorados, saindo de forma inteligente do saudosismo dos anos 60 antes que seus colegas ficassem encalhados por lá.

Something For The Weekend: YouTube Preview Image

Becoming More Like Alfie: YouTube Preview Image

The Frog Princess: YouTube Preview Image

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