Arquivos

Categorias

“L.A. Woman” do The Doors

Quando todo mundo pensava que o The Doors ia desaparecer no túnel escuro e claustrofóbico de sua própria pretensão, veio L.A. Woman.

De repente, a pompa lisérgica e depressiva da banda se metamorfoseou num estilo bem-humorado, expansivo e menos intenso. A Rolling Stone afirmou: “O The Doors nunca foi tão unido, tão parecido com os Beach Boys e o Love”. Com o acréscimo de Jerry Scheff no baixo e Marc Benno na rhythm guitar, o som do grupo se tornou mais completo e preciso.

Jim Morrison tinha se transformado de um esquálido xamã do acid rock numa carismática figura bêbada e grosseira. Quando grita o refrão desafiador de “The Changeling”, dá para sentir que ele ultrapassou um limite pessoal para se tornar um intérprete mais livre e menos posado.

Há um novo tom divertido no álbum. “Love Her Madly”, um hino à paixão obsessiva, ganha uma energia infantil, saltitante, graças ao trabalho espirituoso de Ray Manzarek nos teclados. E “Hyacinth House”está imbuída do melodrama típico do cinema mudo. A exuberante faixa-título coroa o disco, numa viagem pesada através da Cidade dos Anjos. Morrison berra, exultante, os orgásticos versos de “Mr. Mojo Risin’”, e a banda sai dos trilhos e voa.

As altas temperaturas de “L.A. Woman” e “Crawling King Snake” levam um balde de água fria com “Cars Hiss By My Window”, com seu clima de motel barato, e “Riders On The Storm”, que traz o disco de volta ao território clássico do The Doors – uma paisagem árida habitada por fantasmas e alucinações de mescalina.

The Changeling: YouTube Preview Image

Love Her Madly: YouTube Preview Image

Hyacinth House: YouTube Preview Image

L.A. Woman: YouTube Preview Image

Mr. Mojo Risin’: YouTube Preview Image

Crawling King Snake: YouTube Preview Image

Cars Hiss By My Window: YouTube Preview Image

Riders On The Storm: YouTube Preview Image

“Morrison Hotel” do The Doors

Mais conhecido como Morrison Hotel, embora, de acordo com as paradas americanas, o título fosse Morrison Hotel/Hard Rock Cafe, este foi o quinto álbum do The Doors em três anos (o tecladista Ray Manzarek reparou no hotel quando dava uma volta pelo centro de Los Angeles com sua mulher). O grupo estava sob pressão porque o líder e vocalista Jim Morrison respondia a um processo por obscenidade. De fato, a banda gravou vários shows para fazer um disco ao vivo, caso Morrison fosse condenado à prisão, mas o sistema legal dos Estados Unidos era tão lento que houve tempo para o lançamento de um álbum de estúdio.

The Soft Parade, o disco anterior, havia sido considerado desapontador e sem inovações. Talvez como resultado disso, o novo álbum era um robusto mergulho no R&B, revelando as raízes do grupo. A agressiva “Roadhouse Blues” causa impacto imediato, com o conhecido Lonnie Mack no baixo e John Sebastian, do Lovin’ Spoonful (“G Puglese”), na harmônica (a música foi regravada por grupos tão diversos como Blue Öyster Cult e Frankie Goes To Hollywood). O funk inquieto “Peace Frog” repercute a convulsão social da época e põe em destaque New Haven, onde Morrison havia sido preso em pleno palco. A estridente “You Make Me Real”, dominada pelo teclado, mostra o vocalista no auge de sua força; em outras faixas, ele é mais suave, como em “Blue Sunday”, na sinuosa “The Spy” e em “Indian Summer”, uma linda balada que, com sua sinuosa linha de baixo, leva à obra magna do The Doors, “The End”. A banda estava de volta ao bom caminho.

Roadhouse Blues: YouTube Preview Image

Peace Frog: YouTube Preview Image

You Make Me Real: YouTube Preview Image

Blue Sunday: YouTube Preview Image

The Spy: YouTube Preview Image

Indian Summer: YouTube Preview Image

The End: YouTube Preview Image

“The Doors” do The Doors (1967)

A profunda influência exercida pelo The Doors na evolução do rock no final dos anos 60 pode ser atribuída não apenas ao vocal apaixonante, à poesia sombria e ao carisma pessoal de Jim Morrison, mas também à integração certeira entre o teclado de Ray Manzarek, a guitarra de Robby Krieger e a bateria de John Densmore. Morrison era a cara do grupo (quase que literalmente: na capa do disco, a foto ge Guy Webster reduz os outros integrantes a meros satélites), mas o impacto deste álbum está efetivamente na interação entre os quatro músicos.

O The Doors reuniu uma rica variedade de estilos – incluindo rock, blues, jazz e flamenco. A faixa de abertura, “Break On Through”, é um apelo apaixonado à geração psicodélica, enquanto a hipnótica “Soul Kitchen” apresenta mudanças sutis na dinâmica da música, o que se tornaria uma característica do grupo. “The Crystal Ship” mostra o lado crooner de Morrison (Sinatra era um dos seus ídolos), em contraste com o trabalho fascinante de Manzarek no teclado. De fato, o The Doors estava tão seguro de sua competência musical que as versões de “Alabama Song”, de Brecht e Weill, e do blues “Back Door Man” parecem originais.

As duas faixas mais longas fizeram a fama da banda (e ajudaram o disco a chegar ao segundo lugar nas paradas americanas). “Light My Fire”, uma das músicas mais reinterpretadas do grupo (chegou ao primeiro lugar nos Estados Unidos, numa versão editada), é um glorioso hino, com influências jazzísticas, ao desejo sexual. Mas é com “The End” que o ethos do The Doors chega à plenitude – um épico edipiano de luxúria e morte, com 11 minutos de duração, no qual o grupo oferece um surpreendente contraste polimórfico à narrativa cativante de Morrison.

O rock-teatro começa aqui.

Break On Through (To The Other Side): YouTube Preview Image

Soul Kitchen: YouTube Preview Image

The Crystal Ship: YouTube Preview Image

Alabama Song: YouTube Preview Image

Back Door Man: YouTube Preview Image

Light My Fire: YouTube Preview Image

The End: YouTube Preview Image

Copyright © 2010 - Folha da Manhã - Todos os direitos reservados