Quando todo mundo pensava que o The Doors ia desaparecer no túnel escuro e claustrofóbico de sua própria pretensão, veio L.A. Woman.
De repente, a pompa lisérgica e depressiva da banda se metamorfoseou num estilo bem-humorado, expansivo e menos intenso. A Rolling Stone afirmou: “O The Doors nunca foi tão unido, tão parecido com os Beach Boys e o Love”. Com o acréscimo de Jerry Scheff no baixo e Marc Benno na rhythm guitar, o som do grupo se tornou mais completo e preciso.
Jim Morrison tinha se transformado de um esquálido xamã do acid rock numa carismática figura bêbada e grosseira. Quando grita o refrão desafiador de “The Changeling”, dá para sentir que ele ultrapassou um limite pessoal para se tornar um intérprete mais livre e menos posado.
Há um novo tom divertido no álbum. “Love Her Madly”, um hino à paixão obsessiva, ganha uma energia infantil, saltitante, graças ao trabalho espirituoso de Ray Manzarek nos teclados. E “Hyacinth House”está imbuída do melodrama típico do cinema mudo. A exuberante faixa-título coroa o disco, numa viagem pesada através da Cidade dos Anjos. Morrison berra, exultante, os orgásticos versos de “Mr. Mojo Risin’”, e a banda sai dos trilhos e voa.
As altas temperaturas de “L.A. Woman” e “Crawling King Snake” levam um balde de água fria com “Cars Hiss By My Window”, com seu clima de motel barato, e “Riders On The Storm”, que traz o disco de volta ao território clássico do The Doors – uma paisagem árida habitada por fantasmas e alucinações de mescalina.

























