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“The Infotainment Scan” do The Fall (1993)

Um dos prazeres de ser fã do The Fall é que, de 10 em 10 anos, surge um clássico indiscutível, um sucesso que os seus álbuns posteriores terão que igualar. The Infotainment Scan foi a contribuição da década de 90 para este clube seleto. Lançado em 1993, depois de um contrato de três anos com a gravadora Phonogram, ele capturou a banda em seu auge, revestido com alta densidade intelectual, enorme criatividade e um humor negro do mais alto nível. Mark E. Smith retornou às raízes, atualizandoi o som ao mesmo tempo em que desenvolvia ao máximo o lado tecnológico que estava presente no trabalho do grupo desde meados dos anos 80. Nesse sentido, The Infotainment Scan traz a marca de Dave Bush, homem das máquinas de modernidade.

Smith está em sua melhor forma. Destacam-se as músicas “The League Of Baldheaded Men” e “Glam-Racket”. “It’s A Curse” antecipava-se ao retorno do estilo nostálgico que impregnou a cultura inglesa na virada do milênio. A versão de “Lost In Music” foi uma escolha perfeita para a banda: a repetição elegante presente no original do Sister Sledge foi tornada arrasadora.

Embora com o tempo nem tudo continue tão vigoroso, o núcleo do álbum contém alguns dos momentos mais brilhantes que o The Fall Já produziu. A depravação das versões, a solidez do groove e as ideias robustas fazem deste um de seus mais poderosos discos.

The League Of Baldheaded Men: YouTube Preview Image

Glam-Racket: YouTube Preview Image

It’s A Curse: YouTube Preview Image

Lost In Music: YouTube Preview Image

“This Nation’s Saving Grace” do The Fall (1985)

Em 1985, Mark E. Smith e o grupo The Fall lançaram o seu décimo e mais completo álbum até à data. O produtor John Leckie deu ao grupo uma sonoridade muito mais limpa, horrorizando Smith, que insistiu para que o disco fosse masterizado a partir de uma fita cassete que ele possuía, de qualidade sonora obviamente inferior. Por conta disso, as doces melodias acústicas de “Paint Work” são grosseiramente interrompidas porque Smith apertou sem querer a tecla de “gravar”, criando uma colagem sonora abstrata mas interessante.

A crescente influência da mulher de Smith, a californiana Brix, acrescenta um clima melódico, bem no estilo da Costa Oeste, ao tom dissonante e pós-industrial do The Fall, permitindo à banda passar do cativante pop de garagem de “Barmy” e “Spoilt Victorian Child” para experimentações mais vanguardistas, como a pulsação eletrônica de “L.A.”. As guitarras estridentes e a poderosa bateria de “Bombast” e “What You Need” são típicas da banda e, em “Gut Of The Quantifier”, Smith destila a sua habitual raiva em uma tentativa de rap – com um forte sotaque de Manchester. O ponto alto do álbum é “I Am Damo Suzuki”, homenagem de Smith ao antigo vocalista de origem japonesa do grupo Can. Tendo usado algumas melodias e ritmos do clássico Tago Mago, do Can, é uma música angustiante mas que inspira admiração.

This Nation’s Saving Grace permitiu ao The Fall ganhar uma maior aceitação e é um excelente exemplo da sua capacidade de ser pop sem perder a atitude.

Paint Work: YouTube Preview Image

Barmy: YouTube Preview Image

Spoilt Victorian Child: YouTube Preview Image

L.A.: YouTube Preview Image

Bombast: YouTube Preview Image

What You Need: YouTube Preview Image

Gut Of The Quantifier: YouTube Preview Image

I Am Damo Suzuki: YouTube Preview Image

“Live At The Witch Trials” do Fall (1979)

Uma das bandas inglesas de maior destaque e influência, o Fall foi formado, em 1977, em Manchester, ao redor do cantor e compositor Mark E. Smith. O grupo assinou contrato com o selo Step Forward, de Miles Copeland, e estreou num EP com um tema extravagante, Bingo Master’s Breakout. Esse lançamento e a fama de suas apresentações ao vivo garantiram críticas elogiosas e o apoio do DJ de rádio John Peel, que se tornaria um dos maiores fãs da banda.

Apesar das mudanças em sua formação durante as sessões, o Fall gravou e mixou Live At The Witch Trials, composto pelos melhores momentos de seus primeiros shows, em apenas dois dias. A voz inconfundível de Smith e o inteligente jogo de palavras são complementados pela guitarra abrasiva de Martin Bramah, pelo fantástico órgão fora do tom de Yvonne Pawlett e ainda por uma poderosa seção rítmica. “Crap Rap 2″se apresenta com a afirmação “we are The Fall, Northern white crap that talks back”. “Futures And Pasts” e “Industrial Estate” fazem uma leitura interessante do rock de garagem dos Seeds ou dos Stooges, cheia de críticas sarcásticas e punks; a temática anti-heroína de “No Xmas For John Quays” é um clássico da época, muitas vezes subestimado. “Music Scene”, com sua condenação à indústria da música (complementada pela intervenção do engenheiro de estúdio, que tenta parar a banda durante o prolongado final), e “Underground Medicine” mostram que o Fall superava suas limitações musicais com vibração, humor e inteligência.

O álbum fez sucesso imediato. Como documento do começo de uma instituição única na Inglaterra, o disco continua gostoso de se ouvir até hoje e arregimentou uma nova geração de admiradores, depois que grupos como o Pavement e o Franz Ferdinand conseguiram sucesso com o grande público ao se aproximarem do som do Fall.

Crap Rap 2/Like To Blow: YouTube Preview Image

Futures And Pasts: YouTube Preview Image

Industrial Estate: YouTube Preview Image

No Xmas For John Quays: YouTube Preview Image

Music Scene: YouTube Preview Image

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