Há formas de demonstrar que se tem potencial comercial e há formas de provar que se é a banda mais cool do mundo. Geralmente, as duas coisas são mutuamente excludentes, por isso é interessante observar como o sucesso singular do Flaming Lips conseguiu combinar as duas coisas num momento gloriosamente irreverente.
Tendo-se arrastado sem muito sucesso pelo circuito underground durante os anos 80 e 90, ninguém esperava – principalmente a própria banda – que, com Soft Bulletin, em 2000, eles fossem se tornar um sucesso de crítica. Yoshimi Battles The Pink Robots confirmou que aquilo não havia sido mero acaso e conduziu o trio de Oklahoma a um trabalho de genialidade acidental que simbolizava sua atitude.
Tendo se apresentado na verdadeira instituição da televisão britânica que é o Top Of The Pops, em janeiro de 2003, para promover a chegada ao Top 20 do single “Yoshimi Battles The Pink Robots Pt. 1″, o Flaming Lips recrutou o homem do momento, Justin Timberlake, para tocar baixo com eles – chegando a convencê-lo a usar uma fantasia de golfinho. De certa forma, isso retrata o poder de persuasão do álbum. Ruídos eletrônicos e rock progressivo no estilo do Pink Floyd misturam-se livremente com músicas mais acessíveis dentro do conceito geral centrado em robôs assassinos e numa heroína corajosa. “Do You Realize??” é uma música otimista sobre a morte, enquanto “Fight Test” mescla o apelo folk do líder Wayne Coyne com a trilha sonora de uma festa surreal. Máquinas letais, hinos conceituais e o músico mais quente da época vestido em trajes de pelúcia – somente The Flamings Lips conseguiria fazer isso.
Yoshimi Battles The Pink Robots Pt. 1: 










