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“Yoshimi Battles The Pink Robots” do Flaming Lips (2002)

Há formas de demonstrar que se tem potencial comercial e há formas de provar que se é a banda mais cool do mundo. Geralmente, as duas coisas são mutuamente excludentes, por isso é interessante observar como o sucesso singular do Flaming Lips conseguiu combinar as duas coisas num momento gloriosamente irreverente.

Tendo-se arrastado sem muito sucesso pelo circuito underground durante os anos 80 e 90, ninguém esperava – principalmente a própria banda – que, com Soft Bulletin, em 2000, eles fossem se tornar um sucesso de crítica. Yoshimi Battles The Pink Robots confirmou que aquilo não havia sido mero acaso e conduziu o trio de Oklahoma a um trabalho de genialidade acidental que simbolizava sua atitude.

Tendo se apresentado na verdadeira instituição da televisão britânica que é o Top Of The Pops, em janeiro de 2003, para promover a chegada ao Top 20 do single “Yoshimi Battles The Pink Robots Pt. 1″, o Flaming Lips recrutou o homem do momento, Justin Timberlake, para tocar baixo com eles – chegando a convencê-lo a usar uma fantasia de golfinho. De certa forma, isso retrata o poder de persuasão do álbum. Ruídos eletrônicos e rock progressivo no estilo do Pink Floyd misturam-se livremente com músicas mais acessíveis dentro do conceito geral centrado em robôs assassinos e numa heroína corajosa. “Do You Realize??” é uma música otimista sobre a morte, enquanto “Fight Test” mescla o apelo folk do líder Wayne Coyne com a trilha sonora de uma festa surreal. Máquinas letais, hinos conceituais e o músico mais quente da época vestido em trajes de pelúcia – somente The Flamings Lips conseguiria fazer isso.

Yoshimi Battles The Pink Robots Pt. 1: YouTube Preview Image

Do You Realize??: YouTube Preview Image

Fight Test: YouTube Preview Image

Yoshimi Battles The Pink Robots Pt. 2: YouTube Preview Image

Are You A Hypnotist??: YouTube Preview Image

All We Have Is Now: YouTube Preview Image

“The Soft Bulletin” do Flaming Lips (1999)

Profundamente humano. Não há melhor forma para descrever o disco que acabou convertendo The Flaming Lips num dos grupos mais engenhosos, honestos e importantes do planeta.

Considerado ainda por muitos dos seus fãs como o seu melhor trabalho, The Soft Bulletin testemunhou a virada para o pop do Flaming Lips, depois do ambicioso (e com críticas divididas) Zaireeka: quatro discos concebidos para serem tocados simultaneamente em quatro leitores de CD diferentes. Com a ajuda do produtor Dave Firdmann, o trio de Oklahoma City criou um som simultaneamente sofisticado e poderoso, sutil e intenso, angelical e demoníaco. Foi o álbum que catapultou o grupo para o novo milênio, concebido para divulgar a sua mensagem de esperança para a humanidade – um tema que desenvolveram mais a fundo no álbum seguinte, Yoshimi Battles The Pink Robots.

Uma surpreendente simbiose de letras poderosas e suntuosidade musical, The Soft Bulletin domina a força da expressão musical, convertendo-a num ataque cerebral e espiritual. “Race For The Prize”, com a sua linha de teclados flutuante e encharcada de reverberação, é uma abertura fantástica. “Waitin’ For A Superman” explora o fardo psicológico criado pela condição pós-moderna, enquanto “The Gash” é uma espécie de chamado às armas na luta pela sanidade. A influência de Friedmann é óbvia, o som mais rico tendo ajudado as músicas a realmente crescerem.

Uma obra-prima conceitual (sem, contudo, ser um álbum conceitual), The Soft Bulletin não é pretensioso, devido à força e à clareza de sua visão.

Race For The Prize: YouTube Preview Image

Waitin’ For A Superman: YouTube Preview Image

The Gash: YouTube Preview Image

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