O álbum mais comovente de todos os tempos? Pode ser. Aqui temos dez magníficas músicas de amor, inde de A a Z e começando com paixão para terminar em memórias, mas foram os acontecimentos por trás das cenas que fizeram com que este último álbum da banda de Brisbane fosse conhecido como o Rumors indie.
De regresso à Austrália após quase uma década em Londres, o grupo The Go-Betweens começou a desfazer-se. Seu baixista saiu, sendo substituído por John Willsteed, cujo histórico sugeria que ele detestava a banda e, ao mesmo tempo, estava prestes a sucumbir ao alcoolismo. O vocalista e compositor Robert Forster e a baterista Lindy Morrison tinham se separado. Ela iria em breve perder o seu entusiasmo pelo estilo de vida de uma banda de rock; ele, entretanto, levava suas músicas para uma melancolia profunda (“Dive For Your Memoru”, “Clouds”, “Love Is A Sign”). Grant McLennan (o outro vocalista e compositor) e a multiinstrumentista Amanda Brown, porém, estavam apaixonados e a felicidade fluía pela pena de McLennan (“Love Goes On!”, “The Devil’s Eye”, “Quiet Heart”). Não importava como a sua vida estivesse no momento, haveria uma música ali perfeita para você.
Acusado de marcar um abrandamento na postura pós-punk dos Go-Betweens, 16 Lovers Lane foi um adeus esplêndido de uma banda cruelmente negligenciada. No momento em que se cede aos encantos dos dramas provincianos de “Streets Of Your Town” ou “Was There Anything I Could Do?”, a devoção é quase total. Se os royalties de Forster e McLennan não fluíram como mereciam, o reconhecimento de terem criado um padrão para músicas pop maduras e literatas pode lhes servir de compensação.









