As Go-Gos eram herdeiras de uma tradição de grupos femininos cujas origens podem remontar ao The Shangri-Las dos anos 60 e cujo comportamento era similar ao das californianas The Runaways.
“Foi um conto de fadas”, diz Belinda Carlisle. “Quando começamos, sequer sabíamos tocar nossos próprios instrumentos. Fomos levadas ao estrelato por forças desconhecidas”. Eram estrelas, de fato: Beauty And The Beat passou seis semanas no topo da parada da Billboard.
O álbum é um casamento inebriante de atitude punk e sensibilidade pop. O produtor Richard Gottehrer tinha experiência tanto em música puramente comercial (tendo composto “My Boyfriend’s Back”) quanto em punk (tendo produzido o grupo Blondie). Greil Marcus descreveu o álbum como “maravilhoso… mesmo que o ouvinte nunca desça abaixo da superfície, ficará satisfeito”.
Os clássicos “We Got The Beat”, “Our Lips Are Sealed” (composto em parceria com Terry Hall, do The Specials) e “Can’t Stop The World” são construídos em torno dos riffs de Charlotte Caffey e Jane Wiedlin, dos ritmos de Gina Schock e Kathy Valentine e dos vocais característicos desse estilo de Belinda Carlisle. “Tonite” e “You Can’t Walk In Your Sleep” são especiais por conta das delicadas guitarras de Caffey.
As letras sugerem uma banda transbordante de hedonismo californiano, mas as Go-Gos eram mais do que sua imagem alegre deixava perceber. “This Town”, uma ode ostensiva a Los Angeles, contém as observações mais sombrias que deixavam entrever a ruptura da banda, em meio a drogas e autodestruição.






