Arquivos

Categorias

“American Beauty” do Grateful Dead

Apesar de a tecnologia de estúdio ter dado saltos qualitativos no final dos anos 60, alguns grupos, como o The Grateful Dead, pareciam se divertir com seu jeito indisciplinado de gravar. Mas Workingman’s Dead, de 1970 – uma obra madura em termos de música, com referências às suas raízes no country, pop e jazz -, surpreendeu os fãs. O álbum seguinte, American Beauty, porém, superou todos os outros e se tornou o trabalho definitivo do grupo.

É uma alegria ouvir este álbum: é rico no acompanhamento acústico (que incluiu pedal steel guitar e bandolim), traz backing vocals redondos e tem a presença sutil de instrumentos elétricos. American Beauty consolidou o grupo como algo mais do que uma banda house, por conta de seu carismático líder, Jerry Garcia. Pela primeira vez o Grateful Dead parecia uma unidade coesa, com um time de cantores e compositores talentosos, como Phil Lesh e Bob Weir.

A primeira canção, “Box Of Rain”, escrita por Lesh, é o exemplo perfeito do recém-descoberto entusiasmo do grupo pela gravação em estúdio; na alegre “Sugar Magnolia”, Weir conduz um dos melhores momentos do disco. Garcia, no entanto, continua a ser a âncora incontestável da banda, contribuindo, em especial, com uma trilogia de peso para o repertório – “Candyman”, “Ripple” e “Friend Of The Devil” -, além de tocar de forma expressiva a pedal steel. A faixa de encerramento, “Truckin’”, também perduraria como um hino para gerações de amantes do Grateful Dead.

Tocado com maestria e trazendo harmonias vocais extraordinárias, este álbum complexo influenciou sucessivas gerações de músicos, da Costa Oeste à recente onde de grupos de Liverpool, como o The Coral e os Zutons.

Box Of Rain: YouTube Preview Image

Sugar Magnolia: YouTube Preview Image

Candyman: YouTube Preview Image

Ripple: YouTube Preview Image

Friend Of The Devil: YouTube Preview Image

Truckin’: YouTube Preview Image

“Live/Dead” do The Grateful Dead

Os três primeiros álbuns gravados em estúdio do Grateful Dead não conseguiram captar o que esses garotos estavam experimentando em lugares como o Fillmore West. Por sorte, a banda foi capaz de convidar o resto do mundo a pegar o bonde em Live/Dead.

O álbum foi uma linha divisória na história do pop, especialmente para quem não estava em Haight-Ashbury ou em Carnaby Street. Live/Dead contém apenas sete músicas em dois discos – só para comparar, os Beatles gravaram 30 para o duplo White Album. As faixas foram gravadas durante os shows em São Francisco, ao mesmo tempo que o grupo fazia o disco Aoxomoxoa.

“Dark Star”, a música preferida dos fãs do Dead, foi registrada em vinil pela primeira vez neste disco, numa gravação nunca superada. A música rodopia, borbulha e parece perder a direção inúmeras vezes até explodir em epifanias dignas de Coltrane. O Grateful Dead dá corpo à versão esquelética de “St. Stephen” que está em Aoxomoxoa e, depois, mergulha direto na redenção épica em “The Eleven”.

Apesar de muitos críticos apontarem os álbuns gêmeos de 1970, Workingman’s Dead e American Beauty, como os melhores do grupo, este primeiro disco ao vivo pode muito bem ser alinhado entre os trabalhos mais influentes da banda. Lançado muito antes de a prática de gravar fitas demo de shows se tornar comum, Live/Dead ilustra com perfeição o poder da música de improviso e traça o mapa para o Phish e outras bandas jam seguirem rumo ao século XXI.

Dark Star: YouTube Preview Image

St. Stephen: YouTube Preview Image

The Eleven: YouTube Preview Image

Copyright © 2010 - Folha da Manhã - Todos os direitos reservados