Surgido do nada, o The Gun Club, foi o pioneiro do punk psychobilly de Los Angeles, lançou um álbum de estreia que ofuscou outros grupos californianos da época e foi fonte de inspiração para os White Stripes e muitas outras bandas de garagem do século XXI. O som é bruto, as letras frequentemente psicóticas e as músicas estão entre as melhores do rock norte-americano.
O nome original do The Gun Club era Creeping Ritual. Pierce e o guitarrista Kid Congo Powers formaram a banda em 1980 para tocar na fervilhante cena punk de Los Angeles. Pierce conjugava uma ampla gama de influências (sobretudo blues, com toques de country e rockabilly, com menções a The Doors e a Creedence Clearwater Revival), criando uma mistura selvagem. Cantava, uivava, gritava e sussurrava em músicas enraizadas nas lendas e histórias mais sombrias do Sul, com referências a “caçar os negros” e ameaças como “Vou foder você até que morra”. É evidente que tudo isso poderia ser muito ofensivo, mas era cantado com um estilo tão teatral que virava uma mera encenação. Ou talvez não.
De qualquer forma, faixas como “Sex Beat”, “She’s Like heroin To Me”, “For The Love Of Ivy” e “Jack On Fire” são rocks intensos, e a releitura feita por Pierce de clássicos do blues, como “Preaching The Blues” e “Cool Drink Of Water”, sugere uma imersão na música que supera de longe a tecnicidade enfadonha de Eric Clapton e Gary Moore.








