Havia motivos suficientes para que este disco jamais fosse feito. Os membros fundadores do Human League tinham se afastado para fundar o Heaven 17. O cantor Phil Oakey tomou a valente (alguns diriam “temerária”) decisão de substituí-los por duas colegiais de Sheffield. Com tudo isso, como esperar que fossem produzir um dos discos mais bem-sucedidos do mundo?
Em Dare, o Human League mistura eletrônica mais conceitual de seus primeiros discos – como Travelogue e Reproduction – com um apelo popular dançante e robótico no estilo de Giorgio Moroder. O backing Vocal de Joanne Catherall e Suzanne Sulley, descobertas por Oakey numa discoteca de Sheffield, encontraram o equilíbrio perfeito entre glamour e vulgaridade. Mas também ajudaram a refrear os impulsos avant-garde de Oakey e Phil Adrian Wright, dando ao trabalho um tom mais pop. “Quando ouvimos ‘Sound Of The Crowd’ pela primeira vez, era apenas tunc-crash-tunc-crash”, disse Sulley. “Mas sabíamos que seria sucesso na certa. A música era muito dançante”.
Ainda assim, para um álbum que foi ecoado nas vozes de milhões de bêbados repetindo o refrão de “Don’t You Want Me Baby” em discotecas, graças ao sucesso internacional da música, há um certo clima dark em torno de Dare, seja pela releitura sinistra do tema de Roy Budd para o filme Carter – O Vingador, seja pela paranoia fantasmagórica de “Darkness” ou pelo lamento de John Lennon em “Seconds”. Interessante notar que este foi o último disco que o lendário jornalista e crítico de música Lester Bangs ouviu: ele ainda estava rodando em seu toca-discos quando o seu corpo foi encontrado.





