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“Darklands” do Jesus And Mary Chain (1987)

Depois que Psychocandy soprou vida no rock ‘n’ roll em 1985, Jim e William Reid já estavam acostumados a ler matérias na imprensa aconselhando-os a se separarem, já que nada do que pudessem fazer superaria a muralha de feedback e misantropia do outro álbum. Em seu subconsciente, também achavam que já tinham feito tudo, mas agora precisavam mais uma vez desafiar a si mesmos, como músicos e compositores.

No verão de 86 saiu seu novo single de sucesso, “Some Candy Talking”. Houve filas nas portas das lojas no dia do lançamento. Nove meses depois, “April Skies”, o primeiro gosto de Darklands, entrou no Top 10 inglês. Estrategicamente situado entre a imagem rebelde do início da banda e música para as massas, o single anunciava que o Jesus And Mary Chain tinha potencial suficiente para se tornar um sucesso de público. (A sequência vagamente similar, “Happy When It Rains”, seguia na mesma direção, mas não foi tão bem-sucedida).

Agora que já eram uma banda popular que tinha emplacado alguns sucessos, lançaram Darklands, para a alegria da crítica e dos consumidores, que o colocaram entre os cinco mais vendidos. Na escala Richter, merece um oito. Quem sabe o que os novos admiradores acharam da música de abertura bastante lenta ou de sua sequência ainda mais lenta, “Deep One Perfect Morning”? Eram diametralmente opostas a Psychocandy. Sem feedback. Com violões. Letras compreensíveis. Músicas que aparentemente falavam de amor, não de drogas. “Nine Million Rainy Days” ecoava “Sympathy For The Devil”, dos Rolling Stones, e “About You” seria reinterpretada mais tarde por Sandie Shaw. Ninguém mais brigava em seus shows.

Missão cumprida. A primeira metade dos anos 80 tinha visto o rock atingir a maturidade. Agora a banda havia demonstrado exatamente do que era capaz, e o mundo estava escutando.

April Skies: YouTube Preview Image

Happy When It Rains: YouTube Preview Image

Deep One Perfect Morning: YouTube Preview Image

Nine Million Rainy Days: YouTube Preview Image

About You: YouTube Preview Image

“Psychocandy” do The Jesus And Mary Chain (1985)

Tendo assustado todo mundo com “Upside Down”, seu single de estreia de 1984, em Creation – uma sucessão de feedbacks de guitarra e uma bateria neandertaloides -, Jim e William Reid passaram o ano seguinte encantando o público com uma nova forma de tocar ao vivo. De costas para o público, criavam uma parede impenetrável de feedback e distorção, cuspiam na imprensa e raramente tocavam por mais de 10 minutos.

Assinaram um contrato com a Blanco Y Negro, mas mantiveram Alan McGee como agente e o álbum de estreia doi um trabalho genial. Universalmente aclamado pela crítica musical, é hoje apontado como um dos melhores álbuns de estreia de todos os tempos. Os dois irmãos escoceses descobriram um filão nunca antes explorado, fundindo o pop de praia dos Beach Boys com o som inundado de feedback do Velvet Underground e muito reverb, além da bateria primal de Bobby Gillespie.

Em geral as pessoas se lembram dos três singles – “You Trip Me Up”, “Never Understand” e “Just Like Honey” -, mas o álbum é eletrizante do princípio ao fim. Sua influência é incalculável. Qualquer banda com uma predileção por pedais de efeito e um ouvido para melodias vigorosas deve algo a este disco. Você não pode mais assistir ao grupo ao vivo, mas este álbum é o mais próximo que se pode chegar daquilo que um jornalista comparou a “uma serra elétrica num tufão”.

You Trip Me Up: YouTube Preview Image

Never Understand: YouTube Preview Image

Just Like Honey: YouTube Preview Image

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