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“Arthur (Or The Decline And Fall Of The British Empire)” do The Kinks

Muita gente pode argumentar que a “ópera” Arthur, de Ray Davies, é um álbum melhor, tanto em termos de qualidade como de execução das músicas, do que Village Green – que deu origem a alguns de seus temas -, até por estar mais perto da ideia clássica de “disco conceitual”. Arthur contém tantos pontos altos que parece injusto mencionar seus momentos baixos (que, para alguns, estão na sátira simplista de “She Bought A Hat Like Princess Marina” – mas, para fãs apaixonados dos Kinks, esta é a melhor canção do álbum!).

Arthur era a trilha sonora de um projeto abortado da TV britânica, no qual Davies solaborava com o dramaturgo e roteirista Julian Mitchell. É também a trilha sonora dos últimos dias do Império Britânico e seu povo. Arthur é um inglês comum do século XX, que participa de guerras horrendas e perde um irmão e um filho em nome da glória da Inglaterra. Agora, ele está prestes a perder um outro filho, Derek, para o “Ten Pound Pom”, o programa pós-guerra de imigração para a Austrália. Ele é feliz? Às vezes, os Kinks acham que é – ele conseguiu sua casa, Shangri-La, e leva uma vida confortável. Outras vezes, acham que Arthur é um autômato que não entende nada.

Engraçado, conciso e contagiante, Davies usa seu estilo único – um calipso de music hall – para criar um grande impacto. As melhores faixas, com certeza, são a enorme e amarga “Victoria” – regravada pelo The Fall – e a presunçosa “Shangri-La” – relançada pelo Versus -, assim como a hilariante e vigorosa “Australia” e a sensacional “Drivin’”, que também mereciam ser novamente gravadas, se ainda não foram. O álbum é um clássico do início ao fim.

She  Bought A Hat Like Princess Marina: YouTube Preview Image

Victoria: YouTube Preview Image

Shangri-La: YouTube Preview Image

Australia: YouTube Preview Image

Drivin’: YouTube Preview Image

“The Kinks Are The Village Green Preservation Society” de The Kinks

Hoje em dia, quando The Village Green Preservation Society é universalmente aclamado como uma obra-prima do pop e um dos melhores discos dos Kinks, é difícil imaginar a indiferença que acompanhou o lançamento do álbum em 1968. É provável que tenha soado ingênuo em comparação com Hendrix, os Rolling Stones e a Guerra do Vietnã – mas que músicas!

Depois de anos produzindo mecanicamente singles de sucesso, Ray Davies estava estressado e ansioso por uma mudança de ares. Então, mergulhou nas lembranças idealizadas de sua juventude, em busca de inspiração. O resultado foi um disco de canções atemporais sobre pastagens, álbuns de fotografias e primeiros beijos.

A faixa-título, “The Village Green Preservation Society”, detona o processo com uma excêntrica ode ao Pato Donald e à geleia de morango. “Do You Remember Walter”, com seu piano explosivo e sua batida ressonante, captura o subtexto de melancólica nostalgia do disco, enquanto Davies rememora os cigarros roubados e os sonhos compartilhados com o melhor amigo da escola. Imaginando como seria o amigo Walter adulto, Davies canta: “Aposto que você está gordo, casado e sempre vai para a cama por volta das oito e meia da noite”.

Outros destaques incluem joias cativantes como “Picture Book” e “Animal Farm”, ou beleza sublime de “Big Sky” e “Sitting By The Riverside”. Mesmo o coro bizarro de “Phenomenal Cat” é – claro – fenomenal.

Os fãs devem procurar a edição de luxo deste álbum essencial, com três CDs, lançada pela Sanctuary Records, que traz ainda um caminhão de raridades.

The Village Green Preservation Society: YouTube Preview Image

Do You Remember Walter: YouTube Preview Image

Picture Book: YouTube Preview Image

Animal Farm: YouTube Preview Image

Big Sky: YouTube Preview Image

Sitting By The Riverside: YouTube Preview Image

Phenomenal Cat: YouTube Preview Image

Village Green: YouTube Preview Image

“Something Else By The Kinks” dos Kinks (1967)

Apesar de conter algumas das melhores músicas dos Kinks, incluindo duas que ficaram entre as 10 Mais nas paradas da Inglaterra – a obra-prima de Ray Davies, “Waterloo Sunset”, e a elegia de Dave Davies, “Death Of A Clown” -, Something Else By The Kinks foi o LP menos vendido da banda, chegando apenas ao 35o lugar na parada britânica em outubro de 1967.

Suas vinhetas suaves e melancólicas e suas sutis melodias agridoces – Ray fala de chás da tarde (“Afternoon Tea”), cigarros (“Harry Rag”) e lamenta o fim da temporada (“End Of The Season”) – foram precursoras de The Kinks Are The Village Green Preservation Society, que seria lançado no ano seguinte e apresentaria uma visão de mundo nostálgica e tipicamente britânica. Infelizmente, era fora de época: grupos psicodélicos mais coloridos, como The Jimi Hendrix Experience e Cream, estavam no auge, e os beatles tinham acabado de lançar seu LP mais conceitual, Sgt. Pepper’s Lonely hearts Club Band. Resultado: este álbum dos Kinks parecia ultrapassado e inconsequente.

Na verdade, essa musicalidade menos expressiva e as letras charmosas e tristonhas de Davies sobre o dia-a-dia são o que faz do disco, hoje, um tesouro. Os destaques são “Two Sisters”, uma alegoria sobre os irmãos Davies (Ray é Priscilla, que sofre com a “monotonia do casamento”; Dave é a solteira e livre Sybilla); “David Watts”, um conto homoerótico sobre uma paixão escolar; e “Waterloo Sunset”, uma incomparável homenagem a Londres que representa o ápice do talento de Ray Davies.

Waterloo Sunset: YouTube Preview Image

Death Of A Clown: YouTube Preview Image

Afternoon Tea: YouTube Preview Image

Harry Rag: YouTube Preview Image

End Of The Season: YouTube Preview Image

Two Sisters: YouTube Preview Image

David Watts: YouTube Preview Image

“Face To Face” dos Kinks (1966)

Ray Davies não gostou da capa do quarto álbum dos Kinks. “Queria que fosse preta e forte, como a música do LP”, lembrou o líder dessa banda do Norte de Londres, “em vez de toda colorida”.

Face To Face marcou uma mudança de atitude para Ray, seu irmão e guitarrista Dave, o baterista Mick Avory e o baixista Pete Quaife. Pela primeira vez, eles passaram meses trabalhando num disco, dublando as faixas durante várias sessões. O disco também marcou o fim da parceria com o produtor americano Shel Talmy, cujo método de trabalho bate-pronto não servia para arranjos mais elaborados.

“Party Line” abre o álbum no conhecido estilo do rock ‘n’ roll, enquanto “Dandy” segue o tom de sátira à Swinging London de um sucesso mais antigo, “Dedicated Follower Of Fashion”. O resto do disco é mais profundo e sombrio. Ray explora seu estado mental frágil em “Too Much On My Mind”, conduzida pelo cravo; “Sunny Afternoon”, primeiro lugar nas paradas britânicas, deixa fluir o sentimento de cansaço do mundo numa linda linha descendente de baixo. “House In The Country” e “Most Exclusive Residence For Sale” se enquadram na visão geral de que o álbum é composto por um ciclo de canções sobre a sociedade inglesa. No entanto, o clichê da “quintessência britânica” oculta a diversidade das músicas e das letras. “Holiday In Waikiki”, uma homenagem a Chuck Berry, lamenta a comercialização do Havaí. “Fancy” é uma peça monocórdia inspirada nos ragas indianos, enquanto “Rainy Day In June” é coberta de trovoadas e mistério.

Face To Face não obteve um grande sucesso – ficou em 139o lugar na parada americana e em 13o na inglesa -, mas foi o disco precursor do período clássico dos Kinks. Essas impetuosas estrelas viraram um grupo que produzia álbuns multifacetados.

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