Muita gente pode argumentar que a “ópera” Arthur, de Ray Davies, é um álbum melhor, tanto em termos de qualidade como de execução das músicas, do que Village Green – que deu origem a alguns de seus temas -, até por estar mais perto da ideia clássica de “disco conceitual”. Arthur contém tantos pontos altos que parece injusto mencionar seus momentos baixos (que, para alguns, estão na sátira simplista de “She Bought A Hat Like Princess Marina” – mas, para fãs apaixonados dos Kinks, esta é a melhor canção do álbum!).
Arthur era a trilha sonora de um projeto abortado da TV britânica, no qual Davies solaborava com o dramaturgo e roteirista Julian Mitchell. É também a trilha sonora dos últimos dias do Império Britânico e seu povo. Arthur é um inglês comum do século XX, que participa de guerras horrendas e perde um irmão e um filho em nome da glória da Inglaterra. Agora, ele está prestes a perder um outro filho, Derek, para o “Ten Pound Pom”, o programa pós-guerra de imigração para a Austrália. Ele é feliz? Às vezes, os Kinks acham que é – ele conseguiu sua casa, Shangri-La, e leva uma vida confortável. Outras vezes, acham que Arthur é um autômato que não entende nada.
Engraçado, conciso e contagiante, Davies usa seu estilo único – um calipso de music hall – para criar um grande impacto. As melhores faixas, com certeza, são a enorme e amarga “Victoria” – regravada pelo The Fall – e a presunçosa “Shangri-La” – relançada pelo Versus -, assim como a hilariante e vigorosa “Australia” e a sensacional “Drivin’”, que também mereciam ser novamente gravadas, se ainda não foram. O álbum é um clássico do início ao fim.
































