Os Monkees, a primeira banda fabricada para um programa de TV, estavam cansados de ser gozados pelos hippies, que os chamavam de marionetes: queriam ser um verdadeiro grupo de rock. Demitiram o supervisor musical Dan Kirshner e assumiram o controle. “Este disco é todo nosso”, proclamam na capa, que também lista cuidadosamente todos os instrumentos tocados por eles.
A reinvenção não foi total: os Monkees escreveram sete canções (oito, na verdade: os royalties de “No Time” foram doados a um amigo), e duas são apenas interlúdios. Tommy Boice e Bobby Hart, que escreveram “(Theme From The Monkees”, também contribuíram com três músicas. Mas o toque de gênio de Headquarters é seu equilíbrio: a lacrimosa “For Pete’s Sake” começa numa explosão de pop urgente e não da forma sinuosa própria das bandas hippies. A fantástica “You Just May Be The One”, de Mike Nesmith, acende uma vela para o The Who e outra para o country rock, enquanto “Forget That Girl”é a canção mais lindamente sutil do grupo. Há até uma controvérsia: “Randy Scouse Git”, de Mickey Dolenz – com seus versos vivos e seus brilhantes refrões gritados e caóticos -, acabou batizada como “Alternate Title” na Inglaterra, porque o nome original foi considerado ofensivo. Lançada como single, chegou ao segundo lugar na parada britânica.
Headquarters vendeu bem e, ao que parece, provou que a banda estava certa. Mas, a essa altura, discussões do tipo “são ou não são” não importavam mais. Autômatos ou autônomos, os Monkees eram um grande grupo com grandes músicas.






