Gravado no final de 1965, Black Monk Time é um sério concorrente ao título de “primeiro álbum punk”, e, por mais vazia e fútil que essa distinção pareça (afinal, o punk era um movimento contracultural mal-humorado e com um modelo típico, e esses caras eram exilados geopolíticos), o grupo certamente soa mais normal hoje do que em sua época.
Embora os Monks nunca tenham tocado fora da Alemanha (uma das razões de terem se separado foi a relutância em fazer uma discutível turnê de veteranos do Vietnã – o que eles queriam realmente era tocar em sua terra natal, os Estados Unidos), o grupo de cinco ex-combatentes americanos, que se apresentavam vestidos como monges, de hábito e cabeça raspada, ganhou uma boa e merecida reputação em certos círculos, baseada quase inteiramente neste álbum excepcional (e numa breve junção na década de 90).
No disco, o órgão e um banjo elétrico feito à mão se uniram aos tradicionais instrumentos do rock, tocados com precisão e raiva. Black Monk Time às vezes é hilariante, rouco, radical e esfuziante. A faixa de abertura, “Monk Time”, é uma homenagem aos mutilados da guerra; “I Hate You” não estaria deslocada no filme cult dos anos 60 O Diabo É Meu Sócio. Outras faixas, como “Boys Are Boys And Girl Are Girls” e “Drunken Maria”, trazem referências de um folk teutônico bastardo – mas será uma lembrança emotiva, condenatória ou simplesmente algo que foi se desbotando nesses pobres soldados desiludidos, tão longe de casa? A inscrição na capa, afinal, diz que os “Monks não acreditam em nada”.

