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“We’re Only In It For The Money” de The Mothers Of Invention

Um dos discos mais importantes da segunda metade do século XX, o quarto trabalho de Frank Zappa com os The Mothers confirmou seu status de gênio visionário.

O álbum é extraordinário desde o início – corajosamente fora de seu tempo e adorado pela primeira geração de hippies maconheiros, mesmo quando as músicas arrasavam seu estilo de vida e atiravam para longe seus totens, com um espírito selvagem e cheio de vitalidade. É o que acontece, por exemplo, em “Who Needs The Peace Corps?” e “Flower Punk”. E na capa – uma paródia surrealista de Sgt. Pepper…, considerado o Santo Graal do rock.

Mas o álbum é também um ataque aos hábitos conservadores, ao estilo de vida e à política niilista dos Estados Unidos. Suas canções bem integradas e sedutoras, na voz de Zappa, tecem a análise irrefutável de uma sociedade que alimenta a guerra imperialista, o vício e a decadência das pessoas e da família – como na beligerante “Mother People” (as críticas de Zappa ao autoritarismo dos Estados Unidos começavam a parecer proféticas com a morte de dois estudantes pacifistas numa manifestação na Ken State University, em 1970). Tudo isso coloca o álbum no topo da parada dos “melhores discos conceituais”.

Who Needs The Peace Corps?: YouTube Preview Image

Flower Punk: YouTube Preview Image

Mother People: YouTube Preview Image

“Freak Out!” do Mothers Of Invention (1966)

A banda de Frank Zappa era conhecida simplesmente como The Mothers, até que uma nervosa MGM se deu conta do que a empresa tinha nas mãos com este demolidor disco de estreia. Às vésperas do lançamento de Freak Out!, o segundo álbum duplo da história do rock (Blonde On Blonde, de Dylan, havia acabado de sair), a gravadora entrou em pânico com a ideia de que as possíveis implicações do controvertido nome do grupo pudessem afugentar os DJs. “Como se o nosso nome fosse O Grande Problema”, observou secamente Zappa em sua autobiografia.

Nascidos no coração da florescente cultura freak da Costa Oeste e contratados pelo produtor Tom Wilson, Zappa e sua banda decidiram fundir cabeças na sua estreia. E mais, o disco tinha um propósito. “Cada música tinha uma função dentro de um conceito totalmente satírico”, disse Zappa.

“Who Are The Brain Police?” resume bem esse conceito: uma queixa arrepiante contra o autoritarismo, que descreve como os objetos e a mente podem derreter. Há em todo o disco músicas abertamente esquisitas, paródias do pop fácil, como “Go Cry On Somebody Else’s Shoulder”, um pastiche do doo-wop, em contraponto com canções de amor com arranjos elaborados, como “How Could I Be Such A Fool?”. As guitarras psicodélicas e os riffs de dirty blues tornam o álbum mais profundo no segundo disco: “Help, I’m A Rock” depura a essência do freak e torna tudo abstrato; “The Return Of The Son Of Monster Magnet”, que ocupa o lado D inteiro do lançamento em vinil, é um encerramento experimental e barulhento.

Freak Out! marcou o curgimento de um compositor único e desafiador, que ultrapassou fronteiras ao longo de toda a sua carreira.

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