“Um dos melhores discos da história”, declarou o cantor e compositor Randy Newman a respeito de Ready To Die. Mas continuou: “É estranho porque a primeira música diz: ‘Let’s stop killing each other’ (‘Vamos parara de nos matar uns aos outros’), mas o resto do disco só fala de pessoas matando umas às outras!”.
Deixando de lado a ambiguidade moral, Ready To Die é realmente fantástico. Com o rap dividido entre o G-funk da Costa Oeste e o estilo radical de Wu-Tang na Costa Leste, esse trabalho da Notorious B.I.G., proveniente do Brooklyn, tira partido das duas influências. O som seco e “na cara” é típico de Nova York, mas a produção é tão trabalhada quanto o som que Dr. Dre estava fazendo na Califórnia.
Há faixas funk, como “Juicy” e “Big Poppa”, influenciada pelo Isley Brothers, mas há também a confusa “The What”, um dueto de Method Man estranho o suficiente para entrar em seu disco Tical. Dos outros colaboradores de Biggie destacam-se Diana “Shy Guy” King, que soa feroz em “Respect”, e o produtor executivo Sean “Puffy” Combs – cujo selo Bad Boy ganhou destaque por conta deste disco – dá ao todo um brilho sem paralelo. Em última instância, contudo, o show é de Biggie. As complicadas histórias sobre o seu passado no crime, as estranhas ameaças e as suas visões do futuro não admitem discussão.
Biggie gravou outros dois álbuns de qualidade antes de morrer em 1997 – No Way Out, de Puffy, e Life After Death, de sua autoria. O disco póstumo, Born Again, não chega a ser ruim, mas Ready To Die é o seu melhor trabalho.





