A explosão do punk londrino no final dos anos 70 deu o empurrão necessário para que o poeta de rua Peter Perrett tirasse suas músicas pop problemáticas do gueto dos pubs e as realinhasse dentro dos padrões do novo e crescente movimento.
Os Sex Pistols, o The Clash e, em particular, os Buzzcocks foram as fontes inspiradoras da banda, mas, enquanto esses grupos estripavam o establishment do rock, o The Only Ones, sem grandes preocupações, arrancava pedaços do coração. A tendência de Perrett de despejar torrentes de letras trêmulas, depuradas pela finesse do punk sofisticado da banda, distinguia o grupo, numa época em que a maioria das bandas coçava a cabeça para encontrar o quarto acorde.
Perrett preferia o romance imperfeito ao niilismo inflamado e temperou este álbum de estreia, de 1978, com músicas de beleza paranoica. “Breaking Down” é desagradável, mas, ao mesmo tempo, delicada e bela. A agitada “Language Problem” lembra a ironia literária de Ray Davies, dos Kinks. O ponto alto do disco é “Another Girl, Another Planet”, com seu brilhante prelúdio, um clássico de amor não correspondido, comparável ao melhor da obra de Pete Shelley.
É uma pena que o The Only Ones não consegui superar as tensões internas da banda. O grupo fez apenas três álbuns e se separou, de maneira caótica, em 1981. Perrett passou as duas décadas seguintes no anonimato, mergulhado na dependência de heroína, e foi perdendo aos poucos seu maravilhoso talento como compositor. O legado da banda, porém, permanece – o R.E.M. foi um dos grupos que regravaram “Another Girl, Another Planet”, e Perrett ressurgiu, em 2004, para tocar esse sucesso com os Libertines, uma das bandas que se inspiraram no The Only Ones.



