O Prodigy parecia mais um bando de ratos do quarteirão quando, na década de 90, os branquelas britânicos consumiam tantas drogas que acreditavam até saber dançar. Mas o seu álbum de 92, Experience, mostrou ser bem mais sólido do que o single “Charly” deixava prever e a turnê fez com que o Prodigy se tornasse uma banda veidadeiramente popular.
Em meio a tudo isso, contudo, o líder do grupo, Liam Howlett, cansou do estilo dance e redescobriu o hip-hop. Music For The Jilted Generation, portanto, continua com a sonoridade eletrônica das raves, mas agora misturada com ritmos pesados e orquestrações sintetizadas. O rock também mostra sua cara: a banda Pop Will Eat Itself juntou o grunge à música “Their Law” e “Voodoo People” inclui um riff de “Very Ape”, do Nirvana (essas experiências de punk eletrônico atingiram o auge em The Fat Of The Land, de 1997).
Para deixar as coisas mais coloridas, há clipes dos filmes O Passageiro do Futuro (“Intro”), Agarra-me Se Puderes (“Their Law”), Guerra Nas Estrelas (“Full Throttle”), Poltergeist III (“The Heat [The Energy]“) e 2001 – Uma Odisseia No Espaço (“Claustrophobic Sting”).
Este álbum não perde o pique em momento algum, ainda que Howlett diga que “Full Throttle” e “One Love” podiam ter sido excluídas. Na época, Music For The Jilted Generation foi entendido como um protesto contra as tentativas governamentais de acabar com as raves. Atualmente Howlett diz que o título era “estúpido” e nega a existência de qualquer intenção política (hipocrisia que acabou se revelando útil: o título do disco seguinte é uma citação de Hermann Goering).
Não importa. Este trabalho abriu caminho para que Letfield, Underworld e Goldie editassem as suas longas narrativas musicais em forma de disco e continua soando vertiginosamente bem.








