Está devidamente documentado que, dependendo da noite em que alguém os visse tocar ao vivo, The Replacements podia ser a melhor ou a pior banda de rock do mundo. Sua performance imprevisível – muitas vezes estavam completamente bêbados – significava que tudo podia acontecer durante os shows. Após uma série de discos irregulares, apesar de empolgantes, lançaram o inovador Let It Be, um álbum que fazia a passagem do período punk da banda rumo às músicas mais melódicas e sensíveis que iriam definir o restante de sua carreira. Muito bem recebido pelos críticos em 1984, Let It Be, juntamente com o Zen Arcade do Hüsker Dü, conterrâneo de Mineapolis, ajudou a definir o “rock universitário” de meados dos anos 80, tornando a banda um sucesso underground.
Uma das chaves da popularidade do Replacements estava na capacidade de seu líder, Paul Westerberg, de compor melodias ousadas e cheias de atitude, mas que continuavam sendo muito acessíveis. Basta ouvir “Unsatisfied”, onde os violões evidenciam toda a sua amargura, ou o solo de “Answering Machine”, onde as guitarras estrondosas e a repetição do último verso – “Ah, odeio sua secretária eletrônica” – encerram o álbum de forma genial.
Alguns críticos disseram que as escandalosas “Gary’s Got A Boner” e “Tommy Gets His Tonsils Out” podiam ser consideradas como músicas para encher linguiça, mas não deixam de ser sobre ereções e amígdalas. O grupo nunca deixou passar uma piada (ou um drinque): o título do álbum é uma brincadeira com os Beatles, e a sua divertida, ainda que caótica, versão do clássico “Black Diamond”, do Kiss, já fez com que Gene Simmons saísse enfurecido de um bar onde o Replacements estava tocando ao vivo.









