O enigmático Andy Weatherall foi um dos pioneiros do acid house e tinha produzido bandas como Primal Scream ou My Bloody Valentine. Enquanto alguns de seus colegas, como Paul Oakenfold, tinham atingido fama e fortuna, Weatherall refugiou-se ainda mais fundo no underground do tecno, onde a sua lendária reputação de “sujeito do contra” ainda perdura.
No início dos anos 90, a Warp Records lançou Sabresonic e Haunted Dancehall, ambos produzidos por Weatherall, que, com Jagz Kooner e Gary Burns, gravava sob o nome de The Sabres Of Paradise. O primeiro álbum é um LP de tecno britânico, sendo notável pela música “Smokebelch”, uma composição épica de ambient dub. O segundo álbum é mais sério: consistindo de ritmos com um forte clima dub, cordas misteriosas, jazz retorcido e ambientes esfumaçados. Poucas vezes um título foi tão adequado a um disco.
A música “Wilmot” começa com uma banda de sopros, como se fosse algo perfeitamente normal no contexto, construindo depois uma enorme parede oscilante de ruído que soa como uma feira carnavalesca que tomou ácido antes de se revelar como um dub gracioso e viajante. O ousado funk e “Tow Truck” sai berrando dos alto-falantes, impulsionado por um acorde ameaçador de guitarra e um órgão taciturno. “Return To Planet D” e “Theme 4″ se desenvolvem em atmosferas incômodas, repletas de pequenos sons e ruídos e o onipresente agudo do Sabresonic.
O livreto do CD inclui 13 textos pequenos e misteriosos que acompanham cada uma das músicas do álbum, creditados ao romance Haunted Dancehall, de James Woodbourne. Como sempre, Weatherall riu por último: esse livro não existe, sendo apenas mais uma das curiosas piadas internas que acrescentam um elemento extra à aura misteriosa do Sabres Of Paradise.






