Não deixa de ser estranho que uma das bandas mais representativas e influentes do rock gótico tenha gravado apenas três álbuns de estúdio em 25 anos de carreira. Em Floodland, o segundo álbum dos Sisters Of Mercy, todos os elementos se conjugaram. É um trabalho majestoso, impregnado de um encanto irresistível.
O líder enigmático dos Sisters Of Mercy, Andrewm Eldritch, afirmou que tinha gravado o disco por conta própria contando apenas com a colaboração da baixista Patricia Morrison (ex-Gun Club) e de uma bateria eletrônica apelidada de Doktor Avalanche (Eldritch depois alegou que Morrison não havia tocado uma só nota no disco e que só pegou no baixo para gravar os vídeos). faixas como “Dominion/Mother Russia” e “The Corrosion” soam amplas e exuberantes, com um toque dramático acrescentado pelo produtor do Meat Loaf, Jim Steinman, e movidas por pesadas batidas eletrônicas (as duas faixas trazem a New York Choral Society). “Flood I” se afunda em profundezas da desesperança. Em contraste com o panorama aberto da maioria das faixas, a melancólica “1959″ usa apenas piano e voz.
Quando o álbum foi posto à venda, o gótico já tinha chamado a atenção do grande público. Foram extraídos três singles do álbum e todos alcançaram boas posições na parada de vendas. A imagem foi sempre tão crucial para os Sisters Of Mercy quanto a própria música, e os videoclipes de divulgação ajudaram a sublinhar as imagens teatrais do álbum.
Em entrevistas, ficou bastante claro que Eldritch está muito consciente do lado engraçado da banda, apesar de a legião de fãs jamais ter reconhecido isso. Esse paradoxo nunca foi tão claro quanto em Floodland, que de alguma forma consegue ser irônico e profundamente comovente ao mesmo tempo.





