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“Strangeways, Here We Come” dos Smiths (1987)

Após ter assinado contrato em a EMI, Strangeways, Here We Come (o nome se refere a uma conhecida prisão em Manchester) foi gravado para cumprir uma obrigação contratual com o selo independente britânico Rough Trade. Contudo, desentendimentos quanto ao agenciamento da banda e o rumo a seguir estavam afetando a parceria entre Morrissey e Marr.

As raízes irlandesas de Morrissey são exploradas no feroz grito de guerra de “A Rush And A Push”. Por outro lado, a guitarra glam de Marr em “I Started Something” antecipava o futuro trabalho solo de Morrissey com Mick Ronson. Outros bons momentos incluem a alegre música “Unhappy Birthday”, a autoparódia de “Stop Me If You Think You’ve Heard This One Before” e a dramática “Last Night I Dreamt That Somebody Loved Me”, com sua angustiante e longa introdução apoiada por um piano soturno e pelos sons de multidões brigando. O ataque de Morrissey à indústria fonográfica em “Paint A Vulgar Picture”, com seu refrão amargo de “Re-issue! Re-package!” (“Relançamento! Novo formato!”), soa ainda mais irônico frente às inúmeras compilações dos Smiths e de Morrissey que foram lançadas desde então. A última música, a comovente “I Won’t Share You”, supostamente fez com que o baterista Mike Joyce tivesse um ataque de choro.

“Girlfriend In A Coma”, um exemplo clássico da inteligência cortante de Morrissey, foi lançada como um single na semana em que o grupo anunciou sua dissolução. Em meio ao drama dessa separação, o álbum não recebeu a atenção devida. Apesar de menos aclamado que os trabalhos anteriores, Strangeways, Here We Come é um epitáfio nobre para uma das maiores bandas britânicas.

A Rush And A Push: YouTube Preview Image

I Started Something: YouTube Preview Image

Unhappy Birthday: YouTube Preview Image

Stop Me If You Think You’ve Heard This One Before: YouTube Preview Image

Last Night I Dreamt That Somebody Loved Me: YouTube Preview Image

Paint A Vulgar Picture: YouTube Preview Image

I Won’t Share You: YouTube Preview Image

Girlfriend In A Coma: YouTube Preview Image

“The Queen Is Dead” do The Smiths (1986)

The Smiths foi, antes de mais nada, uma banda prolífica. The Queen Is Dead, gravado em dezembro de 1985, não foi lançado imediatamente por questões legais, sendo colocado à venda apenas em junho de 1986. Foi o terceiro disco da banda em dois anos (o quarto, se incluirmos a magnífica compilação Hatful Of Hollow). Foi também a sua obra-prima.

O que torna este trabalho ainda mais impressionante é que a banda estava passando por muitas dificuldades nessa época. Não tinham um agente fixo (ninguém conseguia suportar a relação próxima entre Morrissey e Johnny Marr), estavam renegociando o contrato com seu selo (o dono do Rough Trade, Geoff Travis, é o “Mr. Shankly” da segunda faixa) e o baixista Andy Rourke estava viciado em heroína. De todos esses conflitos nasceu um álbum assombroso, preciso e hilariante – e tudo isso ao mesmo tempo na primeira música, que é um ataque selvagem, ainda que genial e perspicaz, à família real, incluindo uma avalanche de guitarras sobrepostas (a visão de Marr de um encontro entre MC5 e Velvet Underground). Há apenas uma música de menor valor – “Never Had No One Ever” -, e mesmo assim ela é bem-vinda, porque permite que o ouvinte se acalme um pouco depois da tripla salva inicial.

Em todo o disco a guitarra de Marr está mais abrasiva e pungente do que nunca e a genialidade de Morrissey como letrista faz com que ele sempre acerte o alvo em cheio, com uma autopiedade perfeitamente formulada. A penúltima música, “There Is A Light That Never Goes Out”, é um dos momentos mais sublimes da banda, onde a voz melodrmática do cantor se liga perfeitamente à guitarra incansável de Marr. O álbum seguinte viria a ser igualmente genial – e também o último.

Never Had No One Ever: YouTube Preview Image

The Queen Is Dead: YouTube Preview Image

Frankly, Mr. Shankly: YouTube Preview Image

I Know It’s Over: YouTube Preview Image

There Is A Light That Never Goes Out: YouTube Preview Image

Bigmouth Strikes Again: YouTube Preview Image

“Meat Is Murder” do The Smiths (1985)

Meat Is Murder é o grande álbum perdido do The Smiths, no sentido em que foi encoberto pelo trabalho posterior do grupo.

Depois da estreia, os filhos pródigos de Manchester foram para o estúdio a fim de fazer um disco que representasse melhor seus shows ao vivo e as sessões na BBC. Não que o álbum inicial, The Smiths, tivesse sido uma completa decepção, mas o guitarrista Johnny Marr, virtuoso tanto no som pauleira (“Nowhere fast”) quanto no rockabilly anos 50 (“Rusholme Ruffians”), desta vez iria realmente surpreender com seu estilo versátil.

O letrista Morrissey também estava em campo. A sua atenção voltava-se agora para as suas paixões: vegetarianismo, pacifismo e antiautoritarismo – o título do álbum, a capa (a foto de um soldado vietnamita durante a guerra) e particularmente a letra da faixa-título diziam muito sobre seus pontos de vista. Em outros momentos surgiam os primeiros sinais de dor real em suas palavras. “That Joke Isn’t Funny Anymore” parece pedir a um brutamontes – ou, pios, a um amigo – para parar de provocar o velho Moz. Há também estudos sobre uma vida esquecida e mais tranquila em “Rusholme Ruffians”, que foi buscar “inspiração musical” em “His Lateste Flame”, de Elvis Presley – uma dívida reconhecida mais tarde pela banda em sua coletânea ao vivo, Rank.

Na versão em CD do LP original, “How Soon Is Now” foi acrescentada, lamentando uma juventude perdida sendo ignorada em boates. Embora seja reconhecidamente uma grande música, fica no meio do caminho de algumas de suas criações mais vibrantes e estimulantes. Meat Is Murder é The Smiths querendo provar seus pontos de vista. O álbum soa ainda melhor quando percebemos que conseguiram.

Nowhere Fast: YouTube Preview Image

Rusholme Ruffians: YouTube Preview Image

Meat Is Murder: YouTube Preview Image

That Joke Isn’t Funny Anymore: YouTube Preview Image

How Soon Is Now: YouTube Preview Image

The Headmaster Ritual: YouTube Preview Image

I Want The One I Can’t Have: YouTube Preview Image

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