“Os Sonics não eram grandes músicos”, afirmou Buck Ormsby, que contratou a banda para o selo Etiquette Records, “mas tinham alguma coisa mágica”. Em seu álbum de estreia, os cinco rapazes de Tacoma, Washington, conseguiram depurar quase tudo o que estava acontecendo na música da época – da “invasão britânica” encabeçada pelos Kinks ao rock ‘n’ roll de Little Richard – com uma energia furiosa e selvagem que antecedeu o punk em mais de 10 anos.
O conceito de “banda de garagem” não era exatamente novo antes dos Sonics. Mas estava claro, a partir do seu single de estreia, “The Witch”, que o grupo ia abalar as estruturas. O baterista Bob Bennett se lembra dos engenheiros de som aflitos com a gravação: “Um deles disse: ‘Isso nem parece bateria’, e o outro respondeu: ‘O que é que eu vou fazer? Olha esse cara!”.
Tendo “The Wich” como o single mais vendido no Noroeste americano, a banda gravou o LP no Audio Cuts, em Seattle. As músicas foram gravadas ao vivo, o que é fácil de perceber – basta ouvir o ratatá da bateria de Bennett e os gritos horripilantes do líder Jerry Roslie em faixas maravilhosas como a poderosa “Psycho”. Não é de surpreender que o nome do grupo tenha sido inspirado na fábrica local da Boeing.
Embora nunca tenham feito grande sucesso em todo o território americano, os Sonics emplacaram uma série de hits em sua região, influenciando uma legião de bandas e contaminando para sempre o rock ‘n’ roll.

