Apesar de suas origens e de seu nome serem góticos, o Stone Roses tornou-se um sinônimo da movimentada cena ecstasy de sua cidade natal, Manchester, fundindo de forma inovadora dance e rock (um reflexo das suas influências, passadas e presentes) de forma similar ao Happy Mondays.
A capa do disco, inspirada tanto pelo pintor Jackson Pollock quanto pelos distúrbios estudantis de 1968 em Paris (os estudantes em luta chupavam limões para combater os efeitos do gás lacrimogêneo), foi obra do guitarrista John Squire, e o seu desempenho com a guitarra une o álbum com tanta liberdade quanto a que tem a pintura esguichada sobre a capa. “Bye Bye Badman”, uma referência aos motins de 68, junto com “Elizabeth My Dear” (“Scarborough Fair” reescrita como uma balada antimonarquia), mostra a visão anti-sistema dos Stone Roses que muitas vezes não é notada.
Nunca exagerado, sempre essencial, o estilo de Squire é frequentemente considerado a coluna vertebral do álbum. Contudo, o baterista Alan “Reni” Wren merece uma menção especial pelo suave e cuidadoso acompanhamento em “Bye Bye Badman” e magníficas viradas em “I Am The Resurrection” que continuam encantando e surpreendendo até hoje.
A energia e imaginação de músicas como a sonhadora “Waterfall” e a sua prima “Don’t Stop” (a mesma música, tocada de trás para a frente, com uma letra adaptada) captam o otimismo característico da época após o nascimento do acid house e o segundo Verão do Amor na Inglaterra.
O Stone Roses conseguiu resumir o espírito aparentemente livre da época, ao mesmo tempo em que relembra o caldeirão criativo do rock e do pop nos anos 60. É absolutamente maravilhoso que tenham inadvertidamente criado um álbum capaz de sobreviver à sua própria época.









