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“Raw Power” de Iggy And The Stooges

Na capa, a imagem de Iggy Pop, provocante e ameaçador, captura à perfeição sua resposta aos problemas e críticas que enfrentou antes deste álbum tomar forma. Depois de um relacionamento infeiz com a gravadora Elektra – que divulgou mal os dois primeiros álbuns da banda e se livrou deles antes que os Stooges começassem o terceiro disco -, Pop saiu do grupo e deixou Detroit para se juntar a David Bowie em Nova York.

Por sugestão de Bowie, Iggy e o guitarrista James Williamson foram a Londres gravar Raw Power. Na capital inglesa, Pop reconvocou Ron e Scotty Asheton, os irmãos que tinham criado a seção rítmica primal dos Stooges. O ambiente cordial da “velha e boa Inglaterra”, como dizia Pop, não aliviou o áspero machismo de Raw Power. Na verdade, o disco não poderia estar mais longe da ambiguidade sexual do glam rock vendida por Bowie e outros naquela época. A visão que Pop tinha do álbum era ambiciosa – a mixagem inicial de “Search And Destroy” traz o som de uma luta de espadas, enquanto “Penetration” usa uma das matérias-primas do rock ‘n’ roll, a celesta (um teclado composto por sinos orquestrais) – mas a guitarra de Williamson e o ritmo cru dos Ashetons mantiveram o disco numa linha mais simples, voltada para o estômago e os testículos.

A Columbia odiou o álbum e achou o material menos acessível do que o produzido pelos Stooges para a Elektra. A gravadora encarregou Bowie de salvar o que pudesse daquela mixórdia. Ainda bem que ele deu atenção às ideias de Iggy e montou oito faixas que influenciaram os primeiros punks de Nova York e Londres e atribuíram a Pop o papel de padrinho do movimento.

Search And Destroy: YouTube Preview Image

Penetration: YouTube Preview Image

Gimme Danger: YouTube Preview Image

Raw Power: YouTube Preview Image

“Fun House” dos Stooges

Depois do álbum de estreia dos Stooges, muito criticado, a Elektra contratou uma produção mais modesta para Fun House. No entanto, Don Gallucci revelou-se uma excelente escolha. Experiente músico de estúdio (tocou órgão em “Louie, Louie”, dos Kingsmen, com apenas 14 anos), ele aconselhou a banda a gravar seu mal-afamado show – um amontoado de riffs pecaminosos, com Iggy Pop à frente, completamente drogado, se lambuzando com tortas de creme ou se cortando com cacos de vidro. Os Stooges fizeram uma performance na Elektra como se estivessem no palco. Nos intervalos das sessões, eles promoviam festas num motel de má reputaçãso, o Tropicana, e esse clima ao redor das gravações penetrou fundo nas músicas.

O lado A é o da “festa”, com as guitarras metálicas se exibindo como prostitutas de rua e Iggy balbuciando histórias sórdidas de hedonismo. O lado B, porém, é a ressaca. As canções se alongam para além da zona de conforto; o saxofonista Steven MacKay produz um barulho disforme e Iggy soa como uma criança perdida e amedrontada, avisando, a partir de sua própria experiência amarga, que “The Fun House will steal your heart away” (“A Casa do Prazer vai roubar seu coração”). A capa do álbum combina perfeitamente com o conteúdo: Pop se contorce no que parece ser o fogo do inferno – mas trata-se apenas de um close, com filtro avermelhado, de seu rosto.

A entrega selvagem e o gosto amargo de Fun House não caítam bem para uma geração de ressaca coletiva pós-Altamont, e os Stooges se separaram. Mas a psicose corrosiva do álbum influenciou diretamente Richard Hell, The Birthday Party e Black Flag, e muitos punks de coração dark começaram suas carreiras musicais copiando essa pequena fatia de brutalidade.

Down On The Street: YouTube Preview Image

Loose: YouTube Preview Image

T.V. Eye: YouTube Preview Image

Fun House: YouTube Preview Image

“The Stooges” do The Stooges

No final dos anos 60, Detroit, uma cidade com orgulho de sua herança musical, era sinônimo do adocicado soul lançado pelo pioneiro Berry Gordy em seu selo Motown. Tudo isso mudou em 1969, a partir do álbum de estreia dos Stooges, uma onda corrosiva de guitarras lancinantes e uivos primitivos do cantor Iggy Stooge (como era então conhecido).

Os Stooges foram uma segunda escolha da Elektra – o diretor de artists and repertory Danny Fields foi a Detroit para contratar o MC5 e seu garage rock, mas ficou tão impressionado com um show dos Stooges que decidiu dar a eles uma chance, também. Em junho de 1969, a banda seguiu rumo a Nova York para fazer o álbum com John Cale (ex-Velvet Underground). O único problema era a falta de repertório. Apesar de sua força ao vivo, a banda tinha apenas três músicas prontas. O diretor da gravadora, Jac Holzman, enfiou o grupo num quarto de hotel e deu o prazo de dois dias para que completassem o disco.

A banda emergiu com uma série de esquisitices brilhantes que não eram exatamente nem garage rock nem canto fúnebre. Cale impôs limites a canções como “1969″, que ameaça explodir, mas não entra no território da loucura, e “I Wanna Be Your Dog”, na qual os poderosos golpes de guitarra são contidos com rédea firme. Cale toca viola em “We Will Fall”, uma peça de 10 minutos de estupor narcótico saído diretamente dos cânones do Velvet para a inconfundível voz de Iggy.

O álbum virou um mito, ao mesmo tempo que Iggy se metamorfoseava de Stooge em Pop, e, embora Fields se refira ao disco como uma “esquisitice comercial”, The Stooges ajudou a preparar terreno para a explosão punk que viria depois.

1969: YouTube Preview Image

I Wanna Be Your Dog: YouTube Preview Image

We Will Fall: YouTube Preview Image

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