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“Rattus Norvegicus” dos Stranglers (1977)

Os Stranglers se mantiveram num mundo à parte. Para começar, usavam teclados. Também já haviam passado muito da adolescência – no caso do baterista Jet Black, há muito tempo mesmo. Essas características serviram para alimentar ainda mais a raiva evidente que transparece em seu primeiro álbum, concebido originalmente como ao vivo e com o nome de Dead On Arrival. Não era a deles fazer abstrações atrevidas contra “o sistema”: os Stranglers tinham muita experiência para compartilhar.

Rattus Norvegicus, seguindo as características do punk, foi gravado em apenas seis dias. Embora agressiva, a performance da banda é bem executada, resultando num álbum no qual “praticamente todas as faixas são pequenas obras-primas”, como atestou a NME.

A revista tinha, porém, algumas ressalvas: considerou as letras “grosseiras e machistas”. A banda foi constantemente acusada de misoginia, uma imagem que “Sometimes” e “London Lady” não ajudaram a suavizar. Apenas ironia ou o grupo era realmente culpado das acusações? Os Stranglers se defenderam, dizendo que estavam apenas dando uma opinião.

Musicalmente, a banda chega a seu grande momento no meio do álbum. Depois dos vocais escabrosos de Hugh Cornwell em “Hanging Around”, J. J. Burnel usa sua habilidade no caratê para causar impacto na brutal linha de baixo de “Peaches”. O disco ganha força total em “(Get A) Grip (On Yourself)”, que convoca: “Strap on your guitar and we’ll play some rock ‘n’ roll” (“Pendure a guitarra e vamos tocar rock ‘n’ roll”).

Sim, o álbum é polêmico, mas o que se poderia esperar de um disco que ganhou o nome do roedor responsável por espalhar a peste negra?

Sometimes: YouTube Preview Image

London Lady: YouTube Preview Image

Hanging Around: YouTube Preview Image

Peaches: YouTube Preview Image

(Get A) Grip (On Yourself): YouTube Preview Image

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