Era tentador descartar esse grupo vocal por conta de alguns momentos de sua carreira, principalmente no início dos anos 70, quando Eddie Kendricks e Paul Williams saíram. A ausência de Kendricks, em particular, foi considerada potencialmente devastadora para o grupo, já que tinha sido o cantor principal do sucesso “Just My Imagination (Running Away With Me)”.
A capa enganosamente simples, que mostra os cinco integrantes do grupo ao redor de uma árvore, encobre um álbum ambicioso, que teve como ponto de partida o experimentalismo de Psychedelich Shack, de 1970, mas avançou por novos caminhos. Graças, em especial, a “Papa Was A Rolling Stone”, uma epopeia com quase 12 minutos de duração, os Temptations conseguiram se desprender de sua imagem de baladistas no estilo anos 60 e aderir aos sons mais ásperos do soul e do R&B, que estavam na moda.
Os Temptations deram adeus ao material do tipo “My Girl” e, de forma convincente, arrasam com “Funky Music Sho’ Nuff Turns Me On”, um balanço viciante no estilo do Earth, Wind And Fire, e mantêm o ritmo com “Run Charlie Run”, que lembra o War. Na faixa seguinte a “Papa Was A Rolling Stone”, “Love Woke Me Up This Morning”, a banda mostra que ainda consegue emocionar e se supera no doo-wop de “I Ain’t Got Nothing”. O álbum fica redondo som a leitura afinada e firme de “Do Your Thing”, de Isaac Hayes.
All Directions, orientado pela produção inteligente de Norman Whitfield e reforçado pelo novo integrante, Damon Harris, foi um sucesso imediato de público e crítica que ganhou três vezes o Grammy e firmou o lugar do grupo na indústria musical até a década de 80.








