Os álbuns explicitamente políticos – por mais que sejam bem-intencionados (dependendo da visão política do leitor, é claro) – normalmente tendem a ser muito inconsistentes no que se refere à sua musicalidade. Infected, o segundo álbum de Matt Johnson sob a alcunha The The, quebrou essa regra.
Embora Matt Johnson já tivesse desabafado a sua raiva em relação ao estado do mundo em Soul Mining, de 1984, a sua visão tornou-se mais ambiciosa e coerente – e sua raiva mais focada – durante os dois anos que levou para gravar Infected. Lançado em 1986, no apogeu do “mercado livre” dos anos Thatcher, este disco – tanto o nome quanto a música se referem ao desdobramento do pânico inicial quanto à AIDA, na Inglaterra – é desilusão transformada em música.
Grande parte de sua ira concentra-se na subserviência da Inglaterra aos Estados Unidos. “Sweet Bird Of Youth”, em particular, era profética, relatando as últimas palavras de um piloto americano moribundo que retornava de um bombardeio aéreo a alvos no Oriente Médio )meses após a gravação deste disco, os ataques à Líbia, ordenados por Reagan, partindo de bases aéreas inglesas provocaram protestos naquele país).
Johnson também se insurge contra a destruição de uma Inglaterra mais amável e gentil em “heartland” – que fala sobre a substituição dos cinemas de bairro da sua infância por centros comerciais “cheirando a mijo” nos bairros remodelados da cidade – e fazendo um libelo, nas outras músicas, sobre assuntos como a política sexual e o capitalismo em geral. Tudo isso magnificamente orquestrado com naipes de metais, seções de cordas e o backing vocal de uma jovem chamada Neneh Cherry (“Slow Train To Dawn”). Nunca antes a fúria soou tão funkeada.







