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“Infected” do The The (1986)

Os álbuns explicitamente políticos – por mais que sejam bem-intencionados (dependendo da visão política do leitor, é claro) – normalmente tendem a ser muito inconsistentes no que se refere à sua musicalidade. Infected, o segundo álbum de Matt Johnson sob a alcunha The The, quebrou essa regra.

Embora Matt Johnson já tivesse desabafado a sua raiva em relação ao estado do mundo em Soul Mining, de 1984, a sua visão tornou-se mais ambiciosa e coerente – e sua raiva mais focada – durante os dois anos que levou para gravar Infected. Lançado em 1986, no apogeu do “mercado livre” dos anos Thatcher, este disco – tanto o nome quanto a música se referem ao desdobramento do pânico inicial quanto à AIDA, na Inglaterra – é desilusão transformada em música.

Grande parte de sua ira concentra-se na subserviência da Inglaterra aos Estados Unidos. “Sweet Bird Of Youth”, em particular, era profética, relatando as últimas palavras de um piloto americano moribundo que retornava de um bombardeio aéreo a alvos no Oriente Médio )meses após a gravação deste disco, os ataques à Líbia, ordenados por Reagan, partindo de bases aéreas inglesas provocaram protestos naquele país).

Johnson também se insurge contra a destruição de uma Inglaterra mais amável e gentil em “heartland” – que fala sobre a substituição dos cinemas de bairro da sua infância por centros comerciais “cheirando a mijo” nos bairros remodelados da cidade – e fazendo um libelo, nas outras músicas, sobre assuntos como a política sexual e o capitalismo em geral. Tudo isso magnificamente orquestrado com naipes de metais, seções de cordas e o backing vocal de uma jovem chamada Neneh Cherry (“Slow Train To Dawn”). Nunca antes a fúria soou tão funkeada.

Infected: YouTube Preview Image

Heartland: YouTube Preview Image

Slow Train To Dawn: YouTube Preview Image

“Soul Mining” do The The (1983)

Se algum artista já mereceu o título de “pobre coitado” tatuado na testa, esse seria Matt Johnson, a “banda de um homem só” conhecida por The The desde 1980. Ele nega o fato, mas a natureza melancólica de grande parte de sua música, incluindo seu primeiro lançamento como The The, tende a neutralizar os seus protestos.

O amor pela música do londrino Johnson foi alimentado por ter crescido no pub do seu pai, onde músicos como David Essex e Long John Baldry se apresentaram, entre tantos outros. “Eu podia ouvir a música subindo pelo poço do elevador para mantimentos. E, quando o pub estava fechado, eu e meu irmão brincávamos com o equipamento que estivesse no palco.” Depois de lançar um álbum com seu próprio nome, Burning Blue Soul (1981), Matt adotou um nome misterioso “para criar um grupo conceitual inspirado no The Plastic Ono Band: um grupo conceitual que mudava de formação o tempo todo”.

As músicas combinavam letras densas e provocadoras, muitas delas (“That Sinking Feeling”)  inspiradas na então primeira-ministra Margaret Thatcher, frequentemente usando uma instrumentação pouco comum. Analisando as letras, um crítico disse que Soul Mining “transborda com ideias, dúvidas, receios e mais experimentação musical do que a maioria das bandas se atreve a fazer durante toda uma vida”. Poucos músicos convidados são mencionados no encarte, mas o solo de piano de Jools Holland em “Uncertain Smile” merece menção especial.

A versão relançada em 2002, remasterizada e com nova capa, foi supervisionada pelo próprio Johnson, e Soul Mining veio se juntar a seus outros discos de maior sucesso comercial: Infected, Mind Bomb e Dusk.

That Sinking Feeling: YouTube Preview Image

Uncertain Smile: YouTube Preview Image

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