Filho de pais religiosos, o jovem David McComb ganhou vários prêmios escolares de literatura inglesa e religião. Essas influências são evidentes nas músicas do seu quarto álbum com The Triffids.
Se houvesse uma categoria denominada gospel-indie, McComb teria feito parte dela com todo o fervor. A sua voz ricamente sofrida transmite o zelo de um pastor pregando no outback australiano. Em termos líricos, a sua poesia dá vida a canções cheias de abandono e desejo. Na tocante música de abertura “Bury Me Deep In Love”, McCombie fala de uma “chapel deep in a valley… under the shadow of a precipice” (“uma capela no fundo de um vale… encoberta pela sombra de um precipício”). A letra lamenta a morte de um montanhista, que mergulha para sua “gélida cripta na montanha”, enquanto a orquestra conjura alegria e tristeza, alternadamente.
Calenture foi gravado na Inglaterra durante a primavera e o verão de 1987 e, quando viajava entre Perth e Londres, as saudades de casa fizeram com que McComb escrevesse “Hometown Farewell Kiss”, de rara beleza. Junto com ela surgiu o título do disco, uma referência a delírios sofridos por marinheiros após longos períodos longe da terra.
Apesar das boas críticas e da continua popularidade nas turnês, a banda sentiu-se desiludida com a relativa falta de sucesso. O seu último álbum de estúdio, The Black Swan, era demasiado irregular e eles se separaram em 1990. McComb submeteu-se a uma cirurgia no coração e depois seguiu uma breve carreira solo, antes de morrer, em 1999, em um acidente de automóvel. Este álbum continua sendo um epitáfio magnífico.



