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“Hypnotised” dos Undertones (1980)

Com “More Songs About Chocolate And Girls” (o título é uma referência indireta aos Talking Heads), os Undertones estavam rindo de si mesmos só para o caso de alguém achar que este notável grupo de powerpunk proveniente de Derry, na Irlanda do Norte, de fato acreditava na publicidade miraculosamente boa que estava recebendo.

Gravado na Holanda, depois de sua primeira turnê pelos Estados Unidos, Hypnotised é provavelmente melhor do que o disco anterior em termos de qualidade, animação, e da intangível essência que tantos tentaram criar ou mesmo definir. É verdade que algumas músicas são quase um rascunho, incluindo o tema de abertura, meio atrapalhado (ainda que divertido), assim como a alegre “See That Girl”. Mas o álbum também possui músicas consistentes, como “Whizz Kids”, “Girls That Don’t Talk” e “Boys Will Be Boys”, a música perfeita que dá nome ao disco, além da simplesmente genial “Tearproof”, com seu alegre break instrumental. Qualquer crítica se cala quando os Undertones soam.

Acrescente a isso os singles fantásticos – a canção pop mais triste já escrita, “Wednesday Week”, e a bem-humorada “My Perfect Cousin” – e o resultado é um álbum com um pop de qualidade comparável às compilações de sucessos de muitos outros grupos.

As reedições recentes contêm um single não incluído no LP, o fabuloso “You’ve Got My Number”. Infelizmente essa joia vem acompanhada de quatro lados B absolutamente dispensáveis.

More Songs About Chocolate And Girls: YouTube Preview Image

See That Girl: YouTube Preview Image

Whizz Kids: YouTube Preview Image

Girls That Don’t Talk: YouTube Preview Image

Boys Will Be Boys: YouTube Preview Image

Tearproof: YouTube Preview Image

Wednesday Week: YouTube Preview Image

My Perfect Cousin: YouTube Preview Image

You’ve Got My Number: YouTube Preview Image

Hypnotised: YouTube Preview Image

“The Undertones” dos Undertones (1979)

Alguns álbuns refletem sua época e lugar. Outros, não. Em 1979, poucos achariam o Norte da Irlanda uma região idílica. Mas um disco, lançado em maio daquele ano, mostrou que a adolescência é a mesma em qualquer tempo e local: garotas, fins de semana, uma excitação afobada, grandes planos. O primeiro LP dos Undertones é uma delícia completa e irrestrita.

Enquanto boa parte do punk inglês estava ligado à moda e política, os Undertones não faziam pose – apareciam na TV vestindo parkas e suéteres que mereciam ficar no fundo do armário. A capa, em preto-ebranco, traz a banda simplesmente sentada num muro. Com uma imagem sem apelo, restava mesmo a música.

E isso levou a “Teenage Kick”? Na verdade, numa espécie de movimento contra a maré, que caracterizou sua carreira, a faixa que inspirou a devoção emocionada de John Peel ao grupo só foi incluída na versão lançada cinco meses depois da original.

Não importa. Isso apenas deu mais espaço para o balanço irresistível de “Here Comes The Summer”, “Jump Boys” e “Jimmy Jimmy” (o primeiro single da banda a entrar para os 20 Mais na Inglaterra). Entre os grupos da época, apenas Blondie e os Buzzcocks podiam rivalizar com o talento para compor de John O’Neill. E nada se comparava à impressão causada pela voz de Feargal Sharkey. Em parte agudos, em parte sussurros, trazia uma urgência que se encaixava perfeitamente com a energia de “True Confessions” e “Male Model”.

Menos de meia hora depois de “Family Entertainment” dar a partida ao álbum, tudo acaba e a pessoa se vê sentada, com um enorme sorriso. Esse é o poder do pop perfeito.

Teenage Kick: YouTube Preview Image

Here Comes The Summer: YouTube Preview Image

Jump Boys: YouTube Preview Image

Jimmy Jimmy: YouTube Preview Image

True Confessions: YouTube Preview Image

Male Model: YouTube Preview Image

Family Entertainment: YouTube Preview Image

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