Um comunista de carteirinha forma uma banda chamada The United States of America e consegue um contrato com uma grande gravadora antes de se apresentar uma única vez ao vivo? Só nos anos 60…
Depois de estudar em Nova York com John Cage, uma lenda da avant-garde, o compositor Joseph Byrd se mudou para Los Angeles, em 1967, e decidiu montar um grupo psicodélico de rock. A primeira a ser recrutada foi sua ex-namorada, Dorothy Moskowitz, que, com seu vocal gélido, fazia o complemento perfeito para as viagens sonoras experimentais planejadas por Byrd. A banda gravou apenas este álbum antes de se dissolver, mas trata-se de um disco memorável.
“The American Metaphysical Circus” abre o disco com uma música alegre no órgão a vapor, sobre a qual Byrd amontoa uma série de marchas patrióticas. Quando essa cacofonia insana parece que vai entrar em colapso, vem a voz de Moskowitz – como se estivesse num submarino que está afundando. “Cloud Song” apresenta um baixo delicado e firme e uma melodia envolta em magia. Como num flashback de uma viagem de LSD, os minutos finais da última faixa, “The American Way Of Love”, incluem fragmentos de todas as canções anteriores, fluindo para dentro e para fora da consciência.
The United States Of America vendeu muito pouco, graças à falta de fé quase completa da Columbia. Como disse Byrd, “Não havia muito entusiasmo dos executivos por uma banda cujo nome eles odiavam, cuja música não entendiam e que tinha convicções políticas que consideravam uma traição à pátria”. Mas, passados os anos, o grupo ganhou adeptos devotados e influenciou várias bandas modernas, em especial a Broadcast.





