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“The Velvet Underground” do Velvet Underground (1969)

Ao contrário de seu devastador álbum de estreia, e da pressa autodestrutiva em lançar o disco seguinte, White Light/White Heat, o terceiro LP do The Velvet Underground foi produzido num ambiente bem mais relaxado. Havia menos extremos nas letras e na música da banda, mas há também o fato de que o equipamento havia sido roubado no caminho para os estúdios em Los Angeles, onde o álbum foi gravado.

Da introdução sublime (“Candy Says”, uma canção sobre o travesti Candy Darling, interpretada pelo substituto de Cale, Doug Yule) à inesquecível cena final (“After Hours”, na voz infantil da baterista Maureen Rucker), The Velvet Underground mostra a evolução de Lou Reed, de poeta drogado das ruas a um articulado compositor. Ele se supera em músicas como a confessional “Pale Blue Eyes”, a redentora “I’m Set Free” e o experimento literário “The Murder Mystery”. Rocks como “What Goes On” e “Beginning To See The Light” comprovam que ainda havia fogo na banda. Mas o momento mais alto e menos reconhecido do álbum é a sexy e lenta “Some Kinda Love”, em que Reed e o guitarrista Sterling Morrison trocam figurinhas de maneira contagiante.

Os Velvets não eram mais uns bichos estranhos, como indicava sua aparência conservadora na capa (a foto foi tirada por Billy Linich, mais conhecido como Billy Name, na Factory de Andy Warhol). Eles tinham assinado um contrato promissor com a MGM, mas a gravadora promoveu mal o disco, que se perdeu para o público geral.

Candy Says: YouTube Preview Image

After Hours: YouTube Preview Image

Pale Blue Eyes: YouTube Preview Image

I’m Set Free: YouTube Preview Image

The Murder Mystery: YouTube Preview Image

What Goes On: YouTube Preview Image

Beginning To See The Light: YouTube Preview Image

Some Kinda Love: YouTube Preview Image

“White Light/White Heat” de The Velvet Underground

Lá pelo final de 1967, o patrono do The Velvet Underground, o célebre Andy Warhol, havia perdido o interesse pelo grupo, o que levou o cantor e letrista Lou Reed a entrar em contato com Steve Sesnick, de Boston. O novo empresário pressionou Reed a imprimir à banda um caráter mais comercial – para desagrado do baixista e organista John Cale.

O lado A de seu segundo LP é notável pela temática perversa, incluindo a melodicamente distorcida faixa-título, que defende o uso de anfetaminas. “The Gift” conta a história tragicômica de Waldo Jeffers, que tem tanto medo de ser traído por sua namorada da faculdade que se envia a ela pelo correio. Cale faz a narração, seu agradável sotaque galês sendo transmitido por um canal, enquanto no outro entra um R&B a meio tempo, entrelaçado com arremedos de guitarra elétrica. “Lady Godiva’s Operation” faz uma desconfortável leitura médica da lenda medieval, com os vocais se destacando da mistura psico-noir, num efeito artístico.

O lado B é puro furor. Em “I Heard Her Call My Name”, Cale, o guitarrista Sterling Morrison e o baterista Mo Tucker martelam uma veloz base rítmica, enquanto o líder Reed solta a voz em rajadas no estilo free jazz. “Sister Ray” é o despertar do noise-rock: 17 minutos de sexo, drogas e armas conduzidos por ondas gigantescas de feedback, notas dissonantes e golpes de garage.

White Light/White Heat foi lançado com ainda menos cópias do que o álbum de estreia, chegando ao 199o lugar na parada da Billboard. No entanto, em termos de alta amperagem e liberdade em estado bruto, nada se compara a este disco.

White Light/White Heat: YouTube Preview Image

The Gift: YouTube Preview Image

Lady Godiva’s Operation: YouTube Preview Image

Sister Ray: YouTube Preview Image

“The Velvet Underground And Nico” do Velvet Underground (1967)

Poucos discos conseguiram fazer um contraponto sombrio ao otimismo vigente na Costa Oeste nos anos 60 como este.

O som arranha, tem pouca nitidez – o que não é uma surpresa, já que o disco foi praticamente todo gravado numa única sessão de oito horas de duração em Nova York, por cerca de US$ 2 mil. As letras repletas de sabedoria de rua de Lou Reed apresentam um perturbador submundo ao rock ‘n’ roll: “Venus In Furs”, uma sensual ode ao sadomasoquismo em que a sussurrante viola de John Cale golpeia e estala como um chicote; “Heroin”, uma tomada de posição desarmante e amoral sobre drogas na qual a música se alterna entre a calma e um caótico desabafo mental. Mas o Velvet também sabia fazer canções bonitas e encantadoras – repare no tilintar da caixa de música em “Sunday Morning”. “All Tomorrow Parties” era a música favorita de Andy Warhol, um retrato da elite e dos fracassados que passavam pela sede da Factory em Nova York.

A objetividade com que o disco tratava de sexo e drogas fez com que fosse banido das rádios de Nova York; as estações no resto dos Estados Unidos simplesmente o ignoraram. Os críticos odiaram o álbum e muitos achavam que era apenas um trote elaborado de Warhol (ele é o responsável pela capa que mostra uma simbólica banana pronta para ser descascada); a revista Rolling Stone sequer resenhou o disco. E praticamente ninguém o comprou na época. Mas, como Brian Eno comentou certa vez, quem o comprou acabou montando uma banda. Grupos new wave como Joy Division, Talking Heads e Television devem muito ao aguçado minimalismo do Velvet; o rosnar de Lou Reed inspirou um bando de vocalistas punk, enquanto os delírios sonoros do grupo foram revisitados por bandas como The Jesus And Mary Chain, que também roubou do Velvet o visual couro-preto-e-óculos-escuros.

Sunday Morning: YouTube Preview Image

All Tomorrow Parties: YouTube Preview Image

I’m Waiting For The Man: YouTube Preview Image

Femme Fatale: YouTube Preview Image

Venus In Furs: YouTube Preview Image

Heroin: YouTube Preview Image

European Son: YouTube Preview Image

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