Ao contrário de seu devastador álbum de estreia, e da pressa autodestrutiva em lançar o disco seguinte, White Light/White Heat, o terceiro LP do The Velvet Underground foi produzido num ambiente bem mais relaxado. Havia menos extremos nas letras e na música da banda, mas há também o fato de que o equipamento havia sido roubado no caminho para os estúdios em Los Angeles, onde o álbum foi gravado.
Da introdução sublime (“Candy Says”, uma canção sobre o travesti Candy Darling, interpretada pelo substituto de Cale, Doug Yule) à inesquecível cena final (“After Hours”, na voz infantil da baterista Maureen Rucker), The Velvet Underground mostra a evolução de Lou Reed, de poeta drogado das ruas a um articulado compositor. Ele se supera em músicas como a confessional “Pale Blue Eyes”, a redentora “I’m Set Free” e o experimento literário “The Murder Mystery”. Rocks como “What Goes On” e “Beginning To See The Light” comprovam que ainda havia fogo na banda. Mas o momento mais alto e menos reconhecido do álbum é a sexy e lenta “Some Kinda Love”, em que Reed e o guitarrista Sterling Morrison trocam figurinhas de maneira contagiante.
Os Velvets não eram mais uns bichos estranhos, como indicava sua aparência conservadora na capa (a foto foi tirada por Billy Linich, mais conhecido como Billy Name, na Factory de Andy Warhol). Eles tinham assinado um contrato promissor com a MGM, mas a gravadora promoveu mal o disco, que se perdeu para o público geral.






















