No auge da banda chegaram a dizer que os Waterboys poderiam ter sido tão famosos quanto o U2. “Sim” – diz Mike Scott, sorrindo. “Mas a que preço?”.
Este foi o quarto álbum do grupo. O seu estilo era épico e cinematográfico e a sua estrela estava em rápida ascensão. No entanto, Scott estava cansado da indústria musical, cansado de que lhe dissessem o que fazer e odiava viver em Londres. Foi então que o integrante mais recente do grupo, o violinista Steve Wickham, convidou a todos para viajarem à Irlanda. Foi aí, segundo Scott, que “a aventura começou”.
Fisherman’s Blues tenta unificar a música que o grupo havia criado ao longo de três gloriosos anos de retiro na Irlanda. Das ruas de Dublin aos bares de Spiddal, encontramos ecos de Bob Dylan e The Band na natureza das gravações: a simplicidade musical, a fluidez intuitiva de músicas e ideias, o relacionamento, a cordialidade e a persistência de uma atmosfera bucólica e idílica.
A Irlanda – o povo, a paisagem e a música – impregna este trabalho, desde a alegre manifestação que abre o álbum até a homenagem final a Yeats. No meio disso encontramos valsas, rock e uma versão carinhosa de “Sweet Thing”, de Van Morrison. No meio-tempo, “And A Bang On The Ear” poderia ser uma música moderna, mas ela se junta às outras como uma velha e querida canção.
O álbum é um trabalho poderoso que evidencia uma alegria sincera e uma satisfação inclassificável. Foi o resultado de centenas de horas de gravações em fita – realçando tanto sua força quanto sua única fraqueza. Scott tentou realizar um segundo volume em 2003, mas a magia, tal como a névoa de Galway, tinha desaparecido.






