Quando Jack e Meg White se reuniram nos estúdios Toerag em Londres para gravar o seu quarto álbum, ninguém imaginava que ele seria tão sombrio. Os discos anteriores tinham sido artísticos, simplistas e absolutamente barulhentos. Mas Elephant, além de conter um single emblemático e agressivo (“Seven Nation Army”), era sobre uma banda levando a exploração sonora tão longe quanto possível para um duo.
Envolvido numa capa bastante simbólica (o pé de Meg está atado, uma referência ao seu divórcio), Elephant foi gravado com equipamento analógico, sem utilizar nada que houvesse sido fabricado após os anos 70. Os sete minutos de “Ball And Biscuit”, que mais tarde Jack tocaria ao vivo com seu heroi Bob Dylan, era um reconhecimento ao mesmo tempo de sua influência do blues e de seu lado intratável (sua longa duração pode ser interpretada como uma reação à contracultura negligente denunciada nas notas de capa). Ainda assim, o álbum é uma encantadora criatura selvagem moderna. Dedicada à “morte do ser amado”, Elephant é uma obra visceral, aparentemente deslocada, mas em absoluta sincronia com a sua época. “Seven Nation Army”, um single com um refrão sem palavras, que gerou inúmeros remixes dançantes (um sinal verdadeiro da facilidade do rock para esses cruzamentos), relata algumas das preocupações de Jack com a sua crescente fama. No restante do disco, há trechos introspectivos (“In The Cold, Cold Night”, cantada por Meg), explosões líricas (“There’s No Home For You Here”) e fantásticos blues de garagem à moda antiga (“Girl, You Have No Faith In Medicine”), os quais a banda domina como ninguém. Elephant continua a ser o disco mais dinâmico e mais vendido da banda. O fato de ressoar com tanta escuridão e frustração só fala ainda mais fundo sobre seu status de clássico.
Girl, You Have No Faith In Medicine: 













