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Por Erasmo Junior, em 17-07-2010 - 14h06
Este é o álbum mais vendido do The Who – e, do ponto de vista de seu líder, Pete Townshend, o melhor. Mas foi fruto de uma crise: Lifehous, o álbum seguinte ao conceitual Tommy, tinha fracassado, depois de meses de trabalho, porque ninguém, à exceção de seu autor, o compreendeu. A foto de Ethan A. Russel para a capa de Who’s Next faz uma brincadeira com o filme 2001: Uma Odisséia No Espaço, mas também serviu como uma mostra da grandiosidade da ambição da própria banda (uma ideia rejeitada para a capa era mostrar Keith Moon num espartilho, segurando um chicote).
Humilhado, Townshend foi convencido a incluir as melhores canções num álbum que não contasse qualquer história. Algumas eram difíceis, como “Bargain”; outras, contagiantes, como “Getting In Tune”; uma – a divertida “My Wife”, do baixista John Entwistle – não tinha nada a ver com Lifehouse (a mulher em questão, garantiu Entwistle, não se ofendeu: não foi atrás dele – mas seus advogados, sim).
Muito acima do resto paira o trio dos melhores hinos do hard rock. “Baba O’Riley” – uma junção dos nomes do guru de Townshend, Meher Baba, e do compositor vanguardista Terry Riley – é uma mistura sublime de sintetizador e guitarra; “Behind Blue Eyes” é um modelo de poesia com atitude e “Won’t Get Fooled Again” é simplesmente monstruosa.
As três fizeram parte do repertório do The Who no show pós-11 de setembro no Madison Square Garden, chamado The Concert for New York. Foi a apresentação mais aplaudida da noite, o que mostra como, mesmo depois de décadas, as músicas e o grupo continuam grandiosos.
Bargain: 
Getting In Tune: 
My Wife: 
Baba O’Riley: 
Behind Blue Eyes: 
Won’t Get Fooled Again: 
Por Erasmo Junior, em 15-07-2010 - 23h09
O legendário poder e o volume do The Who sempre renderam mais ao vivo. A gravação em estúdio tendia a amortecer sua eletricidade. A banda fez alguns singles fabulosos, mas os álbuns não chegavam a ser perfeitos; mesmo Tommy perdeu um pouco com a produção pretensiosa. Live At Leeds não é apenas o melhor disco ao vivo de todos os tempos – é, com certeza, o melhor momento do The Who.
O álbum registra a banda bem no final da turnê de Tommy, doida para se ver livre daquilo. A locação foi um show na Universidade de Leeds, na Inglaterra, em 1970. O grupo navega com força máxima por mais de duas horas, com um repertório formado por Tommy, singles clássicos e um punhado de pérolas do rock ‘n’ roll. Totalmente livre no palco, o trio poderoso por trás da voz de Roger Daltrey cresce de maneira assustadora – o baixista John Entwistle conduz as melodias, o baterista Keith Moon manda ver e Pete Townshend mostra porque era um pioneiro do feedback, com os solos concisos, mas cheios de criatividade e emoção, de um guitarrista realmente subestimado.
O álbum chegou às lojas no final daquele ano embalado numa feia capa de cartolina, como se fosse um disco pirata. Foi lançado em CD numa versão ampliada (o CD duplo, de 2000, em edição de luxo, merece ser comprado), mas as seis faixas originais são perfeitas, em especial “Young Man’s Blues”, de Mose Allison, ditada pelo próprio diabo, e “My Generation”, um caleidoscópio de riffs. Live At Leeds é o heavy rock em seu estado mais puro.
Young Man’s Blues: 
Summertime Blues: 
Shakin All Over: 
My Generation: 

Por Erasmo Junior, em 11-07-2010 - 14h36
Constantemente rotulado como uma ópera rock e quase sempre descrito como uma mostra do conceitualismo narcisista de colegiais, o expansivo e ingênuo Tommy conta com todos os atributos de um clássico, mas também com todos os defeitos de um Frankenstein. Na aparência, trata-se da história de um garoto surdo, retardado e cego, nascido numa família desequilibrada (ele é aterrorizado pelo primo e pelo tio), que se revela no fliperama e na música e se torna um ícone messiânico no melhor estilo do final dos anos 60. Mas o álbum é, mais precisamente, uma viagem pela infância real e imaginária de Pete Townshend.
Musicalmente, o disco é um cruzamento entre hinos do tipo mod e rock ágil no estilo único do The Who, e contém os melhores momentos da carreira do grupo, como “Pinball Wizard”, “I’m Free” e “We’re Not Gonna Take It”. Composições conceituais ambiciosas como “1921″, “Underture” e “Smash The Mirror” sãomais sólidas do que essenciais – esses 15 minutos poderiam ter sido cortados do álbum e ninguém se queixaria -, mas a maior parte do público aceitou a ideia de que este era o preço a pagar para se ter o maior dos épicos.
Apesar de o significado dessa história jamais ter sido de fato explicado, Tommy é tão culturalmente influenciador como musicalmente variado. O álbum aproveitou os conceitos explosivos de sua óbvia inspiração, Sgt. Pepper… – lançado no ano anterior -, os desenvolveu com um toque de sabedoria de rua, ausente da obra dos Beatles, e, dessa forma, inspirou todo o rock progressivo de trabalhos posteriores, como The Dark Side Of The Moon, do Pink Floyd. Por essa razão – mesmo que o álbum seja, às vezes, uma viagem pelo rock -, todos agradecem.
Pinball Wizard: 
I’m Free: 
We’re Not Gonna Take It: 
1921: 
Underture: 
Smash The Mirror: 
Por Erasmo Junior, em 06-07-2010 - 20h06
Uma obra-prima da pop art, The Who Sell Out esbanja uma ousadia que, mais tarde, abandonaria esse volátil ícone londrino do movimento mod. As hilariantes fotos da capa, de David Montgomery, revelam o conceito dessa cultura. O guitarrista e líder da banda, Pete Townshend, segura um tubo absurdamente desproporcional de Odorono – o desodorante “que transforma transpiração em inspiração”. O cantor Roger Daltrey aparece numa banheira cheia de feijões cozidos com molho de tomate, abraçado a uma lata de Heinz (o primeiro fabricante de feijão em lata da Inglaterra). Na contracapa, o baterista Keith Moon aplica o creme Medac contra espinhas, e lê-se a informação de que o baixista John Entwistle “era um fracote de 60 quilos até que Charles Atlas o transformou num homem de 62 quilos”.
The Who Sell Out apresenta uma leitura satírica da relação entre música e propaganda. Townshend concebeu o álbum como uma transmissão de uma falsa rádio pirata, intercalando as faixas de música com comerciais fictícios. Esses jingles ainda mantêm seu apelo, embora o tempo tenha passado antes que a ideia pudesse ser totalmente compreendida.
As canções são sensacionais. Um presente de Speedy Keen, futura estrela da banda Thunderclap Newman, “Armenia City In The Sky” é um atordoante pacto entre o rock e o movimento psicodélico. “I Can See For Miles” foi o maior sucesso do The Who nos Estados Unidos: uma tempestade de harmonias dilatadas em tempos variados, com instrumentos ferinos, conduzida por um Moon em grande forma. Mas, em outras faixas, há um toque mais suave. “Mary Anne With The Shaky Hand” soa como os Byrds; Daltrey surge afetado e obscuro em “Tattoo”; “Our Love Was” e “I Can’t Reach You” são melodias alegres. Finalmente, a náutica miniópera “Rael” aponta o caminho para Tommy e o superestrelato.
Armenia City In The Sky: 
I Can See For Miles: 
Mary Anne With The Shaky Hand: 
Tattoo: 
Our Love Was: 
I Can’t Reach You: 
Rael: 
Por Erasmo Junior, em 03-07-2010 - 18h39
O primeiro álbum do The Who, que hoje evoca o espírito de uma londrina Carnaby Street que nunca existiu, é apenas superficialmente um som mod. Na verdade, My Generation é o som desesperado de uma banda jovem e confusa sobre sua identidade, explorada por pessoas mais velhas da indústria do disco, e com apenas uma certeza: a de sua assustadora energia e sua capacidade de canalizá-la para a música.
O grupo mudou de nome três vezes ao longo dos anos, dispensou empresários e integrantes, trocou de gravadora e lançou um single que não fez sucesso (“I’m The Face”, composto por Pete Meaden e lançado em 1964 para tentar introduzir a banda na cena mod). Daltrey, Townshend, Entwistle e o recém-chegado Moon sabiam que seu primeiro álbum precisava chamar atenção.
E conseguiram. Eles contrataram o produtor dos Kinks, Shel Talmy (para quem Townshend adaptou “I Can’t Explain”, que, com seus acordes cortantes, lembrava os primeiros sucessos dos Kinks), e gravaram um punhado de canções de ótima qualidade. Os destaques óbvios são “My Generation”, na qual Daltrey simula um viciado em drogas balbuciando frases como a conhecidíssima e sucinta “Hope I die before I get old”; “I Don’t Mind”, com suas sofisticadas harmonias vocais e riffs de guitarra que estavam além de seu tempo; e “The Kids Are Alright”, quase o hino de uma geração, na qual Townshend ressalta (não pela última vez) as dificuldades da juventude.
O The Who evoluiu de forma a se tornar uma fera sofisticada nos discos posteriores, mas a crueza de My Generation faz deste álbum um marco.
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