Um marco britânico, o delicioso e quase barroco pop de câmara de Odessey & Oracle continua ganhando novos fãs a cada ano, apesar de ter vendido pouquíssimo em seu lançamento e de ter sido feito por uma banda tão desiludida com a indústria da música que se desfez logo depois.
Formada na pequena cidade de St. Albans, em 1963, os Zombies estrearam com o sublime “She’s Not There”, que chegou ao segundo lugar nas paradas dos Estados Unidos, mas os singles seguintes tiveram menos sucesso comercial. Depois de passar três anos praticamente em excursão, o grupo decidiu se separar, no final de 1966. O baixista Chris White convenceu os colegas a gravar um álbum de despedida – e o conhecimento prévio de que iam acabar os libertou das pressões comerciais, permitindo que gravassem exatamente o disco que queriam.
E o que queriam era espetacular. Gravado nos Abbey Road Studios logo depois que os Beatles terminaram Sgt. Pepper…, o primeiro álbum coeso da banda – não mais apenas um misto de rebarbas de singles e regravações – contempla a paixão pelo jazz do tecladista Argent, mas mantém o soft-pop do grupo com arranjos mais ousados.
Colega de apartamento de White, Terry Quirk, responsável pela arte da capa, errou a ortografia da palavra “Odyssey”. A banda decidiu deixar como estava e se separou sem grande alarde logo depois. Al Kooper, produtor da CBS, ouviu o álbum numa viagem à Inglaterra e convenceu a gravadora a lançar, em 1969, a faixa de encerramento, “Time Of The Season”, como single – que vendeu dois milhões de cópias em todo o mundo, o que a transformou, ironicamente, no maior sucesso da carreira dos Zombies.



