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“Brilliant Corners” de Thelonious Monk (1957)

Um dos mais reverenciados compositores do século XX, sem falar em sua influência universal como pianista, Thelonious Sphere Monk ocupava, porém, uma inexplicável posição marginal em 1957.

Depois de ter exercido um papel fundamental na criação do bebop no clube Minton, no Harlem, em meados da década de 40, e de ter contribuído com vários clássicos para o cânone do jazz, ele acabou afastado dos jazz clubs de Manhattan por conta de uma falsa condenação por porte de drogas, e sua gravadora perdeu o interesse em seu trabalho. Monk ficou, então, fora de cena durante os anos 50. Foi só quando Orrin Keepnews – a alma por trás do selo de indie jazz Riverside – o contratou que ele começou a ter o devido reconhecimento.

Keepnews reapresentou Monk ao público do jazz com duas sessões de trio, a primeira em cima da obra de Ellington e a segunda, de standards do pop. Brilliant Corners marcou seu retorno como um compositor de primeira ordem, acompanhado do quinteto formado pelo sax tenor de Sonny Rollins, o sax alto de Ernie Henry (que morreu cedo e tragicamente), o baixo de Oscar Pettiford e a bateria de Max Roach (o trompetista Clark Terry e o baixista Paul Chambres substituem Henry e Pettiford em “Bemsha”). A faixa-título, de cair o queixo, foi a responsável pela necessidade de troca de músicos – era tão difícil que, depois de 25 tentativas, não havia um único take completo.

A tensão é palpável na gravação, mesmo depois da edição feita por Keepnews, mas o resultado foi a primeira obra-prima dessa fase da carreira de Monk. Outros destaques são a suave melodia de “Pannonica”, escrita para a amiga e patronesse de Monk, a baronesa “Nica” Koenigswarter, e sua versão solo de “I Surrender Dear”.

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