Estar louco é sempre bom se você quer tocar rock. Kristin Hersh era tão completamente doida – se você quer o termo técnico, era “bipolar” – que batizou o seu alter ego como “Evil Kristen”. Com a sua meia-irmã Tanya Donelly na guitarra, Leslie Langston no baixo e David Narcizo na bateria, tornou-se o elo perdido entre Siouxsie And The Banshees e P.J. Harvey. Muitas vezes associada a seus companheiros de selo e de turnê, o Pixies, na realidade e banda tinha muito mais em comum com grupos como o X ou o Hüsker Dü, cuja influência sempre foi muito maior que as vendas. O som agressivo e as letras psicóticas estavam longe de fazer sucesso com o grande público, mas souberam extrair beleza do caos.
Outros grupos da Geórgia, como o R.E.M. e o The B-52′s, compartilhavam o mesmo espírito, mas as marcas registradas da banda eram músicas start-stop, letras cáusticas e percussões militares. “Hate My Way” é um claro exemplo disso. Descendo na escala de sanidade, “Vicky’s Box” começa com uma das letras mais cruas de Hersh antes de se transformar em uma espécie de country thrash. Outros momentos notáveis do álbum são “Green” – onde podemos notar as influências pop que Donelly trouxe para o grupo e que mais tarde levaria para a sua banda, Belly – e a mais convencional “Soul Soldier”.
Não é um disco fácil de escutar, mas causa um impacto extraordinário. Pense nele como uma chave para um reino mágico cujos pontos de referência incluem Hunkpappa, de 1989, cheio de ganchos, Hips And Makers, a obra-prima de Hersh, e o grande sucesso das paradas, Star, do Belly. A sorte sorri aos mais corajosos: abram seus ouvidos.





