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“Greetings From L.A.” de Tim Buckley

Depois da fraca recepção de Starsailor, Buckley esperou um pouco mais antes de gravar Greetings From L.A.. Nesse meio-tempo, aos 25 anos, ele começou a absorver as influências do jazz, funk e R&B. O compositor deixou de trabalhar com seu parceiro habitual, Larry Beckett, e passou a tocar com outros músicos que podiam se enquadrar em sua nova visão musical. Isso, somado à paixão de Buckley pelos filmes de blaxploitation, o levou a fazer um álbum carregado de sexualidade, o que significava uma enorme mudança em sua imagem de trovador ingênuo.

“Move With Me” começa com pianos alegres e trompetes menos nítidos. O vocal rude de Buckley – que, pela primeira vez, usou o contraponto de um backing vocal feminino – deita e rola nesse conto sobre sexo casual. “Get On Top” traz gemidos orgásticos, ranger de camas e ágeis riffs de jazz que lembram L.A. Woman, do The Doors. “Sweet Surrender” é marcada pela produção de Jerry Goldstein, que coloca a interpretação máscula e gritada de Buckley sobre um dolorido arranjo de cordas, como em seus trabalhos anteriores com o War. “Nighthawkin’” mostra um Buckley mais lascivo do que nunca, caçando mulheres a bordo de um táxi. “Devil Eyes” tem teclados sombrios, enquanto a faixa que encerra o disco, “Make It Right”, é uma desvairada celebração da luxúria que leva a um clímax atordoante.

A capa é um cartão-postal de Los Angeles coberta por uma névoa espessa de poluição. Na contracapa, dois retratos de Buckley com uma máscara de gás. “A mensagem que a capa tentava transmitir era a de que, mesmo nessa atmosfera horrível, pode haver uma intensa atividade musical”, afirmou Buckley em entrevista à Melody Maker. O álbum mostrou que ele estava absolutamente correto.

Move With Me: YouTube Preview Image

Get On Top: YouTube Preview Image

Sweet Surrender: YouTube Preview Image

Make It Right: YouTube Preview Image

“Happy Sad” de Tim Buckley

Tim Buckley morreu de overdose de heroína aos 28 anos, deixando como legado nove álbuns de composições carismáticas. Alguns foram fracassos comerciais, como o incompreendido Lorca, mas eram todos carregados de uma musicalidade instintiva que falava ao coração. “Não se trata apenas de dois minutos e 50 segundos de rock e mais rico”, disse ele, certa vez.

Happy Sad é uma reflexão sobre o amor e a lembrança, que evoca distantes avenidas e encontros à meia-noite. O álbum traz o melhor de Buckley – um romântico sem disfarces com o olhar de poeta. Com a guitarra leve e melódica de Lee Underwood e o enérgico baixo acústico de John Miller, Buckley embarca em “Strange Feelin’”, um blues solitário inspirado em Miles Davis. A voz de Buckley começa quase discordante, mas logo se harmoniza com os elementos ao redor num refrão dançante e jazzístico.

“Buzzin’ Fly”, que se tornou (para irritação de Buckley) a música mais pedida nos shows, é mais convencional, com seu refrescante tom folk fazendo um paralelo com Fred Neil, que compôs “Everybody’s Talkin’”para o filme Perdidos Na Noite. Mais representativa do estilo maduro de Buckley é a suíte “Love From Room 109 At The Islander (On Pacific Coast Highway)”. Além dos aromas e texturas da memória de um romance, a canção serpenteia por quartos ensolarados de motel e pela introspecção do violoncelo.

Ele procura uma veia mais melancólica em “Dream Letter”, um comovente lamento celta, enquanto “Gypsy Woman” evidencia a face de sua música que incomodava os críticos – os improvisos meio blues, numa tendência atonal, notáveis pelo alcance incrível da voz de Buckley. “Sing A Song For You” fecha o álbum num terreno mais seguro – uma simples canção de amor de beleza subestimada.

Strange Feelin’: YouTube Preview Image

Buzzin’ Fly: YouTube Preview Image

Love From Room 109 At The Islander (On Pacific Coast Highway): YouTube Preview Image

Dream Letter: YouTube Preview Image

Gypsy Woman: YouTube Preview Image

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Sing A Song For You: YouTube Preview Image

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