Private Dancer marcou o regresso ded Tina Turner depois de algum tempo fora do circuito musical após seu rompimento com Ike Turner. Competindo com Purple Rain e Born In The USA, o disco alcançou o primeiro lugar da Billboard, vendeu dez milhões de cópias e ganhou quatro Grammys. Os singles “Private Dancer”, “What’s Love Got To Do With It” e “Let’s Stay Together” fizeram enorme sucesso.
Os temas recorrentes das músicas – “What’s love but a second-hand emotion?” (O que é o amor senão uma emoção de segunda mão?), “I’m your private dancer, dancer for money” (Sou sua dançarina pessoal, dançando por dinheiro) -, assim como a fotografia da capa, mostrando a pele morena de Tina Turner e as suas pernas bem torneadas, materializavam perfeitamente a sua imagem: uma mulher dura e sexy num mundo implacável. A alegria, o conhecimento e a dor tingem a voz intensa mas vulnerável de Tina Turner. As músicas de Private Dancer lembram as páginas do diário de uma mulher apaixonada que sofreu com o amor mas continua seguindo em frente. O disco tem uma produção refinada mas que nunca tira o foco do poder e da presença dos vocais de Tina.
Destacamos “Can’t Stand The Rain”, por seu contraponto, e sua revisão de “Help!”, pela insinuação sutil. Mas nem todas as músicas continuam interessantes. Os sintetizadores de “I Might Have Been Queen” e “Steel Claw” hoje soam tão agressivos que quase afogam a veemência de Tina. Da mesma forma, baterias eletrônicas com um som pesado eram novidade em 1984 e, na época, não percebíamos como elas deixavam a música quadrada, mas hoje está bem na cara. Ainda assim, Private Dancer é o triunfo de uma cantora no auge de sua carreira. O álbum contou com diversos grandes produtores, mas, quando termina, queremos ouvi-lo novamente não pela produção, mas pela voz indomável de Tina Turner.









