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“A Wizard, A True Star” de Todd Rundgren

Em 1973, Todd Rundgren não se parecia com mais ninguém – estava no auge de um talento aparentemente inesgotável . Seu plano era fazer um outro álbum duplo depois de Something/Anything?, mas a crise do petróleo fez com que o estoque de vinil ficasse escasso. Rundgren adotou, então, um projeto diferente: um disco de 10 a 24 faixas (dependendo de como se conta) que, como o restante de seu trabalho, mostrasse sua excepcional habilidade como cantor e músico e que, ao mesmo tempo, desafiasse e agradasse a seu público.

“Não há limites para o tema das músicas, para seu som ou para sua duração (…), ou mesmo para se perguntar se aquilo é de fato música”, disse ele à época. Dessa forma, “When The Shit Hits Tha Fan” remete à Pet Sounds; “Zen Archer” (uma das preferidas das plateias dos anos 70) é uma longa incursão pelo pop cósmico, cheia de falsetes e estilo; “Rock ‘n’ Roll Pussy” era, ao que parece, sobre John Lennon – que, na época, estava em Los Angeles, vivendo o que chamou de “fim de semana perdido”, embora tenha durado alguns anos. Os dois tinham brigado por conta dos comentários feitos por Rundgren sobre o comportamento de Lennon.

Oscilando entre diversos estilos e sons, o álbum é difícil de digerir, a princípio. Mas a grande força de Rundgren era a habilidade para compor músicas incríveis. A intricada colagem da capa não funcionou bem em CD: o tema são espelhos e há uma mensagem em código, que seria o título do álbum em runas falsas – mas quem pode afirmar?

When The Shit Hits The Fan: YouTube Preview Image

Zen Archer: YouTube Preview Image

“Something/Anything?” de Todd Rundgren

A foto na parte interna da capa do terceiro LP de Todd Rundgren pós-Nazz, Something/Anything?, mostra o artista sozinho num quarto cheio de equipamentos, com a guitarra pendurada no ombro, os braços abertos e fazendo o sinal de vitória com as mãos. Isto resume o álbum.

Rundgren produziu Something/Anything?, tocou todos os instrumentos, fez todos os vocais em 19 das 25 faixas e compôs todas as canções, à exceção de duas num medley e de “Dust In The Wind”. O resultado é um álbum que levou Rundgren ao apogeu, tanto em termos de vendas como de críticas. “Hello It’s Me”, uma da série de lindas baladas que marcaram a carreira de Rundgren, foi seu single que obteve melhor colocação nas paradas, chegando ao quinto lugar. O álbum ficou nas paradas durante muitos meses. Outras músicas – a triste e bela “It Wouldn’t Have Made Any Difference”, o hard rock de “Black Maria” e maravilhas do pop como “Couldn’t Just Tell You” – mostram um domínio de diferentes estilos quase sem paralelo na música popular. A habilidade nos instrumentos – em especial, o trabalho de Rundgren na guitarra em faixas como “Black Maria” – é de altíssimo nível.

Este é o trabalho mais interessante de Rundgren, que desenvolveu uma carreira cheia de experimentação e desordenada pelas confusas expectativas do público. Mas o álbum não ofereceu qualquer pista de que ele iria virar as costas às aspirações comerciais logo que começasse a ascender. Something/Anything?, porém, foi um sucesso de público e crítica que podia sustentar qualquer artista por um bom tempo.

Dust In The Wind: YouTube Preview Image

Hello It’s Me: YouTube Preview Image

It Wouldn’t Have Made Any Difference: YouTube Preview Image

Black Maria: YouTube Preview Image

Couldn’t Just Tell You: YouTube Preview Image

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