Em 1973, Todd Rundgren não se parecia com mais ninguém – estava no auge de um talento aparentemente inesgotável . Seu plano era fazer um outro álbum duplo depois de Something/Anything?, mas a crise do petróleo fez com que o estoque de vinil ficasse escasso. Rundgren adotou, então, um projeto diferente: um disco de 10 a 24 faixas (dependendo de como se conta) que, como o restante de seu trabalho, mostrasse sua excepcional habilidade como cantor e músico e que, ao mesmo tempo, desafiasse e agradasse a seu público.
“Não há limites para o tema das músicas, para seu som ou para sua duração (…), ou mesmo para se perguntar se aquilo é de fato música”, disse ele à época. Dessa forma, “When The Shit Hits Tha Fan” remete à Pet Sounds; “Zen Archer” (uma das preferidas das plateias dos anos 70) é uma longa incursão pelo pop cósmico, cheia de falsetes e estilo; “Rock ‘n’ Roll Pussy” era, ao que parece, sobre John Lennon – que, na época, estava em Los Angeles, vivendo o que chamou de “fim de semana perdido”, embora tenha durado alguns anos. Os dois tinham brigado por conta dos comentários feitos por Rundgren sobre o comportamento de Lennon.
Oscilando entre diversos estilos e sons, o álbum é difícil de digerir, a princípio. Mas a grande força de Rundgren era a habilidade para compor músicas incríveis. A intricada colagem da capa não funcionou bem em CD: o tema são espelhos e há uma mensagem em código, que seria o título do álbum em runas falsas – mas quem pode afirmar?









