Influenciado pela poesia beat dos anos 50, Tom Waits abandonou a escola e aprendeu a tocar guitarra e piano sozinho. No princípio dos anos 70 foi contratado pelo agente Herb Cohen, que já tinha trabalhado com Tim Buckley e Frank Zappa. Durante os anos 70, seu personagem de vagabundo intelectual e espertalhão serviu como base para o seu trabalho, mas nos anos 80 ele diversificou a sua produção, incluindo até mesmo óperas e trilhas sonoras. Os dois aspectos se uniram no disco Bone Machine, de 1992. O título do álbum se refere ao conceito de “esqueleto musical” criado por Waits, no qual a música é reduzida ao mínimo.
O disco inclui algumas das colaborações mais fascinantes de Waits: Keith Richards é coautor da música “That Feel”; David Hidalgo, do Los Lobos, trouxe o seu violino e o acordeão, e Les Claypool, do Primus, contribuiu com o baixo elétrico. Waits trabalhou com Jesse Dylan no conceito da capa – o produto final acabou refletindo perfeitamente o delírio indistinto da própria música.
Sombrio e cru, Bone Machine não fica atrás do lançamento anterior de Waits, apesar de suas arestas mais sinistras: o som grosseiro da faixa de abertura, “Earth Died Screaming”, é compensado pela relativa doçura de “I Don’t Wanna Grow Up”. A hiperdistorcida “Goin’ Out West” é um bom exemplo do estilo “sujo”do disco e, apesar de cada faixa se destacar individualmente, é a coesão da atmosfera de pesadelo do trabalho que fez com que o álbum recebesse o Grammy de melhor álbum de música alternativa.

























