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“Little Earthquakes” de Tori Amos (1992)

Desde os perturbadores versos de “Crucify”, que falam sobre “procurar um salvador debaixo destes lençóis imundos”, até os cogumelos fálicos na contracapa do disco, Little Earthquakes foi um dos álbuns mais desafiadores que chegaram até o grande público.

Educada, segundo suas próprias palavras, com “um cachimbo da paz numa mão e um crucifixo na outra”, esta descendente de uma mãe em parte cherokee e de um padre metodista redefiniu o papel das cantoras/compositoras dos anos 90 ao abordar em suas letras perseguições religiosas, relacionamentos e sexo com uma franqueza arrepiante. O seu álbum de estreia solo continha algumas músicas muito perturbadoras, como a intimista e tocante “Me And My Gun”, onde fala sobre o estupro real que sofreu. Contudo, o álbum como um todo não era agressivo. Para cada momento de franqueza brutal havia uma metáfora poética e confortante; para cada rompante raivoso de bateria e guitarras havia um belíssimo solo de piano.

Embora por vezes a sua voz lembrasse o timbre de Kate Bush, quem tiver passado algum tempo escutando músicas com uma estrutura tão incomum quanto “Silent All These Years” e “Little Earthquakes” logo perceberá que se trata de uma artista realmente original. Capaz de passar de menina a mulher, de demônio a deusa – e, por que não, de psicótica a terapeuta – em um segundo, o repertório emocional de Tori Amos como intérprete era assustador. Como cantora, pianista e compositora, detinha o poder e a energia de criar músicas capazes de inspirar muitas pessoas. De forma similar a Joni Mitchell, explorou territórios ainda não desbravados, ganhando uma legião de seguidores como uma das vozes mais ricas e corajosas de sua época.

Crucify: YouTube Preview Image

Me And My Gun: YouTube Preview Image

Silent All These Years: YouTube Preview Image

Little Earthquakes: YouTube Preview Image

China: YouTube Preview Image

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