Arquivos

Categorias

“Tracy Chapman” de Tracy Chapman (1988)

Em março de 1988, o Donmar Warehouse, em Londres, entretinha jornalistas com shows gratuitos de Natalie Marchant, do 10.000 Maniacs – com uma condição, que era a de assistir a uma nova artista da Warner Bros., que entrava em seguida para promover seu material. Ela se chamava Tracy Chapman. Sua honestidade cortante e a pura alma de suas músicas para violão e voz – tocadas sem amplificadores – deixaram a maioria dos jornalistas boquiabertos.

As mesmas faixas apareceram em versões mais trabalhadas no disco de estreia de Chapman, lançado em abril. Oito semanas mais tarde, a sua carreira recebeu um empurrão extraordinário. Na época uma estreante desconhecida, foi convidada a participar das festividades pelo 70o aniversário de Nelson Mandela no Estádio de Wembley. Conquistou uma audiência televisiva global com as suas baladas blues-folk e suas declarações comoventes. Em poucos dias, Tracy Chapman estava no topo das paradas e o folk-pop de “Fast Car” havia se tornado um hit.

Embora suas músicas sejam bem-intencionadas, há uma ingenuidade irritante em algumas delas. Ao resenhar o evento de Mandela, um Billy Bragg cético se perguntava se podia perdoar Chapman por cantar “poor people gonna rise up and get their share” (“os pobres se levantarão e receberão sua parte”) sem explicar como. “Talkin’ Bout A Revolution”, que provocou o comentário de Bragg, é um chamado às armas sem uma causa clara. E, reconhecidamente, “Across The Lines” fala da divisão entre brancos e negros sem muita tensão real. No entanto, as canções são tão ricas em simplicidade emotiva e baladas como “Baby Can I Hold You” são tão dolorosamente ternas que não é surpresa que milhões tenham se rendido à música de Tracy.

Fast Car: YouTube Preview Image

Talkin’ Bout A Revolution: YouTube Preview Image

Across The Lines: YouTube Preview Image

Baby Can I Hold You: YouTube Preview Image

Copyright © 2010 - Folha da Manhã - Todos os direitos reservados