Em 1968, o rock inglês já tinha superado a fase de copiar o rhythm and blues americano. Agora, em vez de pura imitação, os músicos britânicos procuravam conciliar sua herança musical com os sons importados.
Isso o Traffic conseguiu com muito estilo. Claro que ajudou o fato de eles contarem com um dos mais talentosos intérpretes da música americana – Steve Winwood, que tinha sido do The Spencer Davis Group, não apenas tocava o Hammond com muita vitalidade, como também era o responsável pelos vocais e pela força instrumental da banda.
A faixa de abertura mostra como o Traffic misturou as duas tradições com humor e elã – “You Can All Join In”, do guitarrista Dave Mason, evoca uma dança folclórica desconjuntada, mas com um toque da boa e velha Inglaterra. Enquanto a guitarra se despe das influências do country, a letra proclama a irmandade entre os homens com a bonomia alegre de uma taberna.
“Pearly Queen”, a primeira música de Winwood no disco, finca o pé em solo americano. A história sórdida de um romance depravado muda o tom da inocente alma londrina do final dos anos 60. A banda chega ao máximo com o lamento à Dylan de “Feelin’ Alright”, enquanto “Vagabond Virgin” coloca um sopro pastoral na história moralista e pouco charmosa de uma menina prostituída.
O disco também flerta com o exótico em “40,000 Headmen”, um blues febril e tropical amarrado com refrões de flauta de bambu, enquanto o honky tonk carregado de “Means To An End” revela quanto artistas retrô como Paul Weller devem ao Traffic.
A capa traz o Traffic fotografado por Gered Mankowitz, já famoso por suas imagens marcantes dos Stones e de Jimi Hendrix.






